A mbar Energia, controlada pela J&F Investimentos, solicitou a anula o de duas etapas do leil o de capacidade elétrica promovido pelo governo, o maior já realizado no Brasil. A empresa alega ter sido prejudicada por erros de sistema durante a disputa, gerando forte rea o entre os demais participantes e incerteza no setor.
Os recursos apresentados Ag ncia Nacional de Energia Elétrica (Aneel) questionam o resultado da licita o, que envolve contratos bilionários. A situa o coloca em xeque os investimentos já iniciados por diversas empresas, que assinaram contratos de equipamentos e realizaram adiantamentos a fornecedores, aguardando agora uma decis o da Aneel. A possibilidade de revis o do leil o gera um dilema: continuar investindo nos projetos ou interromper tudo até que a situa o seja esclarecida.
A Aneel nunca autorizou uma medida semelhante solicitada pela mbar, mas o histórico da empresa, que já obteve decis es favoráveis em processos controversos, tanto na ag ncia quanto no governo, tem gerado apreens o entre os concorrentes. É um absurdo essa bagun a que est o fazendo. E, em se tratando desse grupo (J&F), nada é impossível , declarou um executivo de uma empresa rival ao Brazil Journal.
No recurso Aneel, a mbar argumenta que enfrentou problemas com duas usinas durante o leil o. No caso da UTE Santa Cruz, já em opera o, a empresa arrematou novos contratos para entrega de capacidade a partir de 2026, mas alega ter sido impedida pelo sistema de fazer um novo lance para 2027. Já na UTE Araucária II, um novo projeto, a mbar afirma que a planta foi classificada incorretamente como uma usina existente que possui pre os-teto menores , o que a obrigou a vender energia por um valor inferior ao que seria devido. A empresa atribui essa classifica o equivocada a um erro do sistema .
A alega o da mbar levanta questionamentos sobre a abrang ncia do suposto problema. A pergunta que fica é: de dezenas de participantes, se houvesse um problema sist mico, por que ninguém mais está questionando? , questionou um representante de outra empresa que participou do leil o.
Alexandre Viana, sócio da consultoria Envol e ex-executivo responsável pelos leil es na C mara de Comercializa o de Energia Elétrica (CCEE), considera muito improvável uma revis o dos resultados. N o vou dizer que é impossível um erro, mas o processo é muito robusto, fortemente auditado e muito transparente. Tem simula o da sistemática, treinamento online, e as próprias empresas validam todos os dados antes. Nunca vi isso de refazer o leil o, teria que ter acontecido um erro grosseiro.
Xisto Vieira, presidente da Associa o Brasileira de Geradoras Termelétricas, alerta que atender ao pedido da mbar abriria espa o para questionamentos futuros, gerando inseguran a em todos os leil es. Isso n o existe, é uma impossibilidade. É um risco regulatório e jurídico sem precedentes no País. Já está todo mundo investindo, colocando dinheiro nos projetos , afirmou Xisto, com 40 anos de experi ncia no setor.
A mbar defende que os erros sist micos na programa o do leil o teriam prejudicado n o apenas a empresa, mas também os consumidores, que n o se beneficiaram de maior competi o e descontos. Tudo que conseguimos bidar nós levamos. Estávamos competitivos , disse uma fonte próxima ao grupo.
Contudo, a interpreta o de concorrentes é que a mbar teria cometido erros na interpreta o das regras e na verifica o dos dados sobre suas usinas no sistema da CCEE antes do leil o.
O mercado também observou a saída de dois executivos de alto escal o da mbar incluindo o CEO Marcelo Zanatta logo após o leil o. Segundo uma fonte próxima ao grupo, Zanatta já havia manifestado interesse em deixar o cargo há cerca de um ano, mas n o faria sentido econ mico para ele sair antes do leil o . A oficializa o da saída ocorreu agora.
Para os concorrentes, a demiss o dos executivos foi motivada pelo desempenho abaixo do esperado no leil o.
A Aneel ainda n o estabeleceu um prazo para se manifestar sobre os pedidos da mbar. Os recursos foram assinados por Helvio Guerra, ex-diretor da ag ncia e ex-secretário do Ministério de Minas e Energia, que é diretor da companhia desde o ano passado.
O leil o contestado pela controlada da J&F teve 20 vencedores, incluindo grupos como Eneva, Petrobras, Karpowership e Origem Energia.
Apesar das contesta es, a mbar se destacou na concorr ncia, viabilizando contratos para mais de 2 gigawatts em capacidade, quase o mesmo que a Petrobras.
Caso a anula o de partes do leil o seja confirmada cenário ainda considerado improvável , o impacto para o consumidor poderia ser ainda maior. O cancelamento de investimentos exigiria que o governo contratasse capacidade de forma emergencial, o que beneficiaria apenas algumas empresas.
Um leil o emergencial realizado em 2021, em meio crise hídrica, foi uma oportunidade para geradores como Eneva e a própria mbar. A Eneva, por exemplo, obteve a mesma receita com uma planta de 140 megawatts contratada emergencialmente que com uma usina de 2,2 gigawatts contratada em condi es normais.











