O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, está no centro de uma nova polêmica revelada pela Operação Compliance Zero. A terceira fase da operação, autorizada pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou na prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e na determinação de bloqueio de R$ 22 bilhões em bens dos alvos da investigação. A operação expõe um esquema de favorecimento ao Banco Master dentro do Banco Central, com indícios de que altos funcionários da instituição atuaram de maneira irregular em benefício da instituição financeira.
As investigações da Polícia Federal revelaram que Campos Neto, durante seu mandato, defendeu a permanência e a indicação de dois dirigentes do Banco Central que agora são alvos da operação: Paulo Sérgio de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana. Segundo relatos de integrantes do alto escalão do governo atual, Campos Neto recomendou ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em 2023, a recondução de Souza ao cargo, o qual ele ocupava desde 2017, ainda no governo Michel Temer. Além disso, o ex-presidente do Banco Central também teria defendido a indicação de Belline Santana para a diretoria.
Apesar das recomendações de Campos Neto, o governo petista não acatou as indicações. O ex-presidente do Banco Central, nomeado por Jair Bolsonaro, permaneceu no cargo até dezembro de 2024, período em que foi frequentemente criticado pelo governo Lula. A postura de Campos Neto em relação aos servidores investigados levanta questionamentos sobre seu conhecimento e possível envolvimento no esquema de favorecimento ao Banco Master.
Paulo Sérgio de Souza e Belline Santana possuem décadas de experiência no Banco Central e eram considerados servidores sérios dentro da instituição. No entanto, com o avanço das investigações sobre o caso Master em 2025, Souza começou a apresentar divergências com a diretoria em relação ao tratamento dado ao banco. Naquele ano, Campos Neto já havia deixado a presidência, e Souza foi transferido para o cargo de chefe-adjunto do departamento de Supervisão Bancária, responsável pela fiscalização de instituições financeiras.
A decisão do ministro André Mendonça do STF determinou a colocação de tornozeleira eletrônica em Souza e Santana, além do afastamento de seus cargos no Banco Central. A representação da Polícia Federal que embasou a decisão aponta que os dois servidores receberam pagamentos de Daniel Vorcaro, em troca de ações para “facilitar” a vida do Banco Master dentro da instituição.
De acordo com as investigações, Souza e Santana atuavam de diversas maneiras para beneficiar o Banco Master, como a análise prévia de documentos que seriam submetidos ao Banco Central, a sugestão de ajustes e a emissão de comentários favoráveis. Em um dos casos, Paulo Sérgio chegou a dar orientações sobre como Daniel Vorcaro deveria se comportar em uma reunião com o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Procurado para comentar as indicações dos servidores investigados, Roberto Campos Neto ainda não se manifestou. Apesar de os fatos relatados nas apurações da Polícia Federal ocorrerem durante seu mandato, o ex-presidente do Banco Central tem evitado comentar as fraudes no Banco Master. Essa postura alimenta especulações sobre seu possível envolvimento no esquema e a tentativa de proteger os servidores indicados.
A Operação Compliance Zero representa um duro golpe contra a credibilidade do Banco Central e levanta sérias questões sobre a integridade do sistema financeiro brasileiro. O bloqueio de R$ 22 bilhões em bens dos alvos da investigação demonstra a magnitude do esquema de corrupção e a determinação das autoridades em punir os responsáveis.
O caso também reacende o debate sobre a influência política no Banco Central e a necessidade de fortalecer os mecanismos de controle e fiscalização para evitar que situações como essa se repitam. A investigação continua em andamento, e novas revelações podem surgir nos próximos dias, aprofundando ainda mais o escândalo e suas implicações para o cenário político e econômico do país. A sociedade aguarda respostas claras e a responsabilização de todos os envolvidos, incluindo Roberto Campos Neto, caso seja comprovada sua participação no esquema de favorecimento ao Banco Master. A transparência e a lisura na gestão dos recursos públicos são pilares fundamentais para a construção de um país mais justo e desenvolvido.

