O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escondeu sua frustração por não poder comandar a cerimônia de assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para acontecer durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul em Foz do Iguaçu. No entanto, Lula se mostrou mais otimista quanto à possibilidade de superação do impasse criado pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que pediu mais tempo para negociar com o agronegócio italiano novas salvaguardas de proteção à produção interna.
Ao comentar a conversa que teve, por telefone, com Meloni, Lula disse que a primeira-ministra estará pronta para assinar o acordo em janeiro. "Se ela estiver pronta para assinar (o acordo) e faltar só a França, segundo (a presidente da Comissão Europeia) Ursula van der Leyen e (o presidente do Conselho Europeu) Antônio Costa, não haverá possibilidade de a França, sozinha, não permitir o acordo. Será firmado, espero, no primeiro mês da presidência do Paraguai", declarou o presidente brasileiro.
No comunicado conjunto que marcou o fim da cúpula de Foz do Iguaçu, os presidentes expressaram "desapontamento" com o adiamento da assinatura do acordo, mas demonstraram confiança de que os europeus vão superar suas divergências internas e confirmar a formalização da zona de livre-comércio em janeiro.
Diante do impasse, Lula disse que o Mercosul vai continuar prospectando novos mercados e acordos de comércio. "Diversificar parcerias é chave para a resiliência de economia", afirmou o presidente. O Mercosul conduz mais de 10 negociações com outros países e blocos, que podem ser concluídas durante a presidência paraguaia.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, que assume a presidência pro tempore do Mercosul pelos próximos seis meses, também lamentou o recuo dos europeus. "Estávamos como o noivo esperando a noiva no altar", disse Peña. "Perdemos uma oportunidade", complementou.
Em carta ao presidente do Brasil, os líderes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia reafirmaram o compromisso do bloco com a assinatura do acordo de livre-comércio com o Mercosul no início de janeiro. "Gostaríamos de transmitir o nosso firme compromisso de proceder à assinatura do Acordo de Parceria UE-Mercosul e do Acordo Comercial Provisório no início de janeiro", diz um trecho da mensagem.


