O Irã confirmou nesta segunda-feira (30) a morte de Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, após um ataque atribuído a Israel. A confirmação eleva as tensões na região e aumenta os riscos de um conflito mais amplo. Autoridades iranianas informaram que o oficial sucumbiu aos ferimentos graves resultantes da ofensiva.
Segundo a Guarda Revolucionária, através do site Sepah News, Tangsiri faleceu após sofrer ferimentos severos. A confirmação ocorre dias após o anúncio da operação militar por parte do governo israelense. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o ataque teve como alvo o alto comando naval iraniano.
“Na noite passada, em uma operação precisa e letal, o Exército eliminou o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Tangsiri, ao lado de outros oficiais do comando naval”, afirmou Katz em um vídeo divulgado pelas autoridades israelenses. “Os militares israelenses vão caçá-los e eliminá-los um por um”, acrescentou.
Alireza Tangsiri era uma figura central na estrutura militar iraniana e um dos principais responsáveis pela estratégia do Irã no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte global de petróleo. Israel alega que ele liderava ações que restringiam o tráfego marítimo na região, causando impactos econômicos internacionais.
O comandante estaria em um apartamento na cidade portuária de Bandar Abbas, sede da Marinha iraniana, no momento do ataque. Caso todos os detalhes sejam confirmados, esta ação se soma a uma série de operações israelenses contra líderes iranianos desde o início da escalada militar atual.
Em resposta, a Guarda Revolucionária informou que iniciou a 82ª fase de sua operação contra interesses dos Estados Unidos e de Israel. De acordo com a agência iraniana Tasnim, ataques com drones e mísseis foram realizados contra alvos em Tel Aviv, bem como contra bases americanas no Kuwait e na Arábia Saudita.
Relatos da imprensa israelense indicam que múltiplos pontos foram atingidos em Tel Aviv, deixando pelo menos duas pessoas feridas, além de danos na região de Sharon. Sirenes de alerta foram acionadas em diversas áreas, enquanto as Forças Armadas de Israel informaram ter interceptado sucessivas ondas de mísseis lançados do território iraniano.
Alireza Tangsiri assumiu o comando da Marinha da Guarda Revolucionária em 2018, após ser nomeado pelo aiatolá Ali Khamenei. Anteriormente, atuou como vice-comandante da força naval desde 2010.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções ao militar em 2019 e novamente em 2023, alegando que Tangsiri supervisionava testes de drones e mísseis de cruzeiro, além de estar envolvido com uma empresa ligada ao desenvolvimento desses equipamentos.
Nas últimas semanas, Tangsiri utilizava as redes sociais para comentar a situação no Estreito de Ormuz e emitir alertas a adversários. Em uma de suas publicações, afirmou: “Nenhuma embarcação associada aos agressores contra o Irã tem o direito de passar por ali”.
Em 2019, o comandante também reiterou a possibilidade de fechamento do estreito caso as exportações de petróleo iraniano fossem bloqueadas, reforçando sua relevância estratégica dentro da política de segurança do país. A morte de Tangsiri representa uma escalada significativa nas tensões entre Irã e Israel, com potencial para desestabilizar ainda mais a região do Oriente Médio. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos e busca evitar uma escalada militar em larga escala. A resposta do Irã aos ataques e a possível retaliação de Israel são fatores que determinarão o futuro imediato da crise.


