A Via-Sacra promovida pela Arquidiocese de Natal reunirá paróquias, novas comunidades e movimentos religiosos em um momento de fé e unidade durante a Semana Santa. A celebração, presidida pelo arcebispo de Natal, Dom João Santos Cardoso, acontecerá nesta quarta-feira (01) a partir das 19h, na praça cívica da UFRN, com a expectativa de atrair fiéis de diversas regiões da capital.
Considerada uma das expressões mais profundas da espiritualidade cristã neste período litúrgico, a Via Sacra convida os fiéis a percorrerem, em oração, o caminho de Jesus Cristo até o Calvário. A Via Sacra, também chamada de Via Crucis ou “Caminho da Cruz”, é uma prática religiosa cristã que retrata os momentos finais de Jesus Cristo, desde o julgamento por Pilatos até sua crucificação e sepultamento.
Durante a prática, os participantes contemplam a Paixão de Cristo e reconhecem, nas dores do mundo contemporâneo, a presença do Cristo sofredor. “Durante esse caminho de Jesus, nós podemos imaginar os padecimentos do mundo, as dores do mundo, os sofredores da história”, explica o Padre Matias Soares. A celebração deste ano assume um significado ainda mais relevante ao estar intrinsecamente ligada à Campanha da Fraternidade 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia”.
A escolha do tema da Campanha da Fraternidade para nortear a Via-Sacra reflete a preocupação da Igreja com a realidade das pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas que não possuem um lar. “Muitos potiguares vivem em situação de rua, têm o problema de legalização de muitas moradias. Isso será sintetizado no que vamos celebrar”, explica o padre Matias, destacando a importância de dar visibilidade a essa questão social.
A Via-Sacra não será apenas um momento de devoção religiosa, mas também um espaço de conscientização e mobilização social. A participação de movimentos sociais ampliará o olhar da Igreja para as dores concretas da sociedade, buscando soluções para os problemas enfrentados pelas populações mais vulneráveis. “Nós temos também os movimentos sociais que lutam, que buscam essa questão da moradia digna, do espaço para viver, o direito à cidade e a Via-Sacra agrega todo mundo”, afirma o padre.
O evento, que será conduzido no anfiteatro da Universidade, com um percurso que se estenderá até a capela, se apresenta como um espaço aberto não apenas para católicos, mas para todos aqueles que desejam refletir sobre temas como fraternidade e o direito à moradia digna. A Igreja busca, com essa iniciativa, promover um diálogo amplo e inclusivo sobre a importância de garantir esse direito social a todos os cidadãos. “Lutar para que esse direito social ele possa ser garantido a todas as pessoas, a todos os potiguares. Isso é extremamente importante para todos nós”, destaca o padre.
A proposta central da celebração é ampliar o debate e sensibilizar a sociedade para a urgência de garantir o direito à moradia digna para toda a população. A Igreja acredita que a moradia é um direito fundamental, essencial para a dignidade humana e para o desenvolvimento social.
Entre os destaques da celebração, está o percurso simbólico das estações da cruz, que convida os participantes a uma experiência espiritual profunda. Cada estação representa um momento da Paixão de Cristo, proporcionando aos fiéis a oportunidade de meditar sobre o sofrimento e a morte de Jesus. “A gente pode destacar, de fato, a Via Crucis, a Via Crucis ou a Via Sacra, como esse momento em que nós entramos misticamente nos sofrimentos de Jesus, mas nós também entramos espiritualmente nos sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs”, pontua o padre Matias.
Inserida no contexto da Semana Santa, a celebração da Via-Sacra ganha ainda mais significado por estar ligada ao tempo da Quaresma, os 40 dias que antecedem a Páscoa. Segundo a tradição da Igreja, esse período é marcado como um tempo de purificação e iluminação, no qual os cristãos são convidados a viver uma experiência profunda de conversão.
Esse processo de conversão, explica o padre, não se limita à relação com Deus, mas também envolve o compromisso com o próximo. A Via-Sacra sintetiza essa ideia, pois ao contemplar os sofrimentos de Jesus, os fiéis também se preparam para assumir solidariamente as cruzes de seus irmãos e irmãs. “A Via Sacra sintetiza isso, porque contemplando os sofrimentos de Jesus, nós também nos preparamos, nós também nos purificamos, nós também assumimos solidariamente as cruzes dos nossos irmãos e irmãs”, destaca o padre. A expectativa é que a celebração seja um momento de profunda reflexão e renovação espiritual para todos os participantes, fortalecendo os laços de fraternidade e solidariedade na comunidade potiguar.


