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Brasil mejor posicionado ante guerra, pero alerta por precios

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou que o conservadorismo adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na condução da taxa Selic e o perfil exportador de petróleo dá uma posição mais confortável para o colegiado avaliar os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a economia local. Escalada do petróleo: Diesel em alta pressiona inflação, encarece frete de alimentos e governo vê espaço limitado de ação Medidas: Durigan diz que irá cobrar respostas dos governadores sobre subvenção ao diesel Por outro lado, Galípolo destacou que o mercado já antecipa efeitos mais duradouros do conflito sobre preços por restrições de oferta de petróleo e de outros produtos em função dos ataques bélicos. O presidente do BC ainda ressaltou que é preciso prestar atenção na transmissão do choque do petróleo para os preços de outros produtos e serviços, especialmente em um momento em que a atividade no Brasil está resiliente. — No caso do Brasil, o que aconteceu ao longo de 2025, o conservadorismo que a gente adotou reservou uma posição melhor do que se a gente não tivesse sido conservador. Nos permite ter uma gordura para analisar o desdobramento sobre a economia — disse. — A posição que o BC do Brasil está hoje tem alguns benefícios por ser exportador líquido de petróleo e por conservadorismo dos juros. Por outro lado, é muito importante prestar efeitos de segunda ordem, em especial em economia que tem mostrado tanta resiliência — completou. Efeitos da guerra: Petrobras amplia oferta de diesel e gasolina em meio à baixa importação para abril Nesse contexto, o presidente mencionou que a concentração de choques de oferta nos últimos anos ensinou aos banqueiros centrais que é difícil se ancorar na tese de que os efeitos são transitórios. Desde 2020, o mundo teve que lidar com os desdobramentos da covid-19, da guerra entre Ucrânia e Rússia, das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e agora, com o conflito no Oriente Médio. — É algo também que põe os banqueiros centrais em uma situação complexa. Você vai falar: é mais um choque temporário. É o quarto choque temporário em 10 anos? Isso vai dando rodadas de piora no nível de preço que tendem a causar sim uma sensação de desconforto à população. Galípolo destacou que a incerteza em relação ao conflito reduz a confiança do BC sobre as projeções de inflação de longo prazo. Atualmente, a autoridade monetária mira o terceiro trimestre de 2027 para colocar a inflação na meta de 3,0%. Para esse horizonte, a projeção atual é de 3,3%, apenas 0,10 ponto percentual maior do que a projeção anterior, realizada em janeiro, antes do conflito, aumento considerado pequeno pelo mercado financeiro. Veja: o impacto da guerra na inflação e no preço dos alimentos nos próximos meses, segundo economistas — A confiança que a gente tem em 10 pontos base em uma projeção se reduz. Muitas vezes, a composição passa a ser mais relevante do que número cheio, tem que fazer análises mais qualitativas do que está acontecendo para ter uma inflação mais alta — avaliou. O BC começou a cortar a taxa Selic neste mês, com um ritmo de 0,25pp, de 15% para 14,75%, mas deixou em aberto os próximos passos do ciclo de corte diante da alta incerteza, sobretudo com os desdobramentos da guerra. Em relação à atividade econômica, Galópolo destacou que, no Brasil, normalmente se vincula um choque de petróleo a um efeito favorável sobre o Produto Interno Bruto (PIB), dado que o país é exportador líquido, mas esse resultado está relacionado a um choque de demanda. No caso atual, o que está se desenhando é um choque de oferta, que pode ter um efeito contrário. Míriam Leitão: Relatório do BC e IPCA-15 trazem más notícias para a inflação do ano — Todos os banqueiros centrais entendem que em uma situação como essa de choque de oferta tende-se a ter mais inflação e menos crescimento. E talvez, quanto mais aguda for a crise, maior impacto nessa segunda parte — afirmou. — Temos uma tendência no Brasil em estabelecer uma correlação positiva entre preços de petróleo e crescimento, mas isso geralmente decorre de uma pressão de demanda nos preços de petróleo, não é a natureza desse choque agora.

Brasil mejor posicionado ante guerra, pero alerta por precios

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou que o Brasil se encontra em uma posição mais confortável para enfrentar os impactos da guerra no Oriente Médio em comparação com cenários anteriores, devido ao conservadorismo adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na condução da taxa Selic e ao perfil exportador de petróleo do país. No entanto, o BC teme um efeito duradouro sobre os preços, especialmente em um contexto de crescente incerteza global.

Galípolo destacou que a postura conservadora dos juros, ao longo de 2025, “reservou uma posição melhor do que se a gente não tivesse sido conservador”, permitindo ao BC uma “gordura” para analisar os desdobramentos do conflito na economia brasileira. A condição de exportador líquido de petróleo também contribui para essa posição mais favorável.

Apesar desse cenário relativamente mais tranquilo, o presidente do BC ressaltou a importância de monitorar de perto os efeitos de segunda ordem do conflito, em especial a transmissão do choque do petróleo para os preços de outros produtos e serviços. Ele enfatizou que a economia brasileira tem demonstrado resiliência, o que torna ainda mais crucial essa atenção.

O mercado já antecipa efeitos mais duradouros do conflito sobre os preços, devido às restrições de oferta de petróleo e de outros produtos em função dos ataques bélicos. Galípolo mencionou que a concentração de choques de oferta nos últimos anos – incluindo a pandemia de Covid-19, a guerra entre Ucrânia e Rússia, as tarifas impostas por Donald Trump e o atual conflito no Oriente Médio – ensinou aos banqueiros centrais que é difícil acreditar na tese de que os efeitos são transitórios.

“É algo também que põe os banqueiros centrais em uma situação complexa. Você vai falar: é mais um choque temporário. É o quarto choque temporário em 10 anos? Isso vai dando rodadas de piora no nível de preço que tendem a causar sim uma sensação de desconforto à população”, afirmou Galípolo.

A incerteza em relação ao conflito reduz a confiança do BC sobre as projeções de inflação de longo prazo. Atualmente, a meta de inflação é de 3,0% para o terceiro trimestre de 2027, e a projeção atual é de 3,3%, um aumento de apenas 0,10 ponto percentual em relação à projeção anterior, realizada antes do conflito. No entanto, Galípolo ressaltou que a confiança em uma projeção de 10 pontos base se reduz, e que análises mais qualitativas se tornam necessárias para avaliar o impacto na inflação.

O BC iniciou um ciclo de cortes na taxa Selic neste mês, com uma redução de 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75%. No entanto, o futuro do ciclo de cortes permanece incerto, devido à alta volatilidade e aos desdobramentos da guerra.

Em relação à atividade econômica, Galípolo observou que, tradicionalmente, um choque de petróleo é visto como favorável ao PIB brasileiro, devido à condição de exportador líquido. No entanto, o choque atual é de oferta, o que pode ter um efeito contrário. “Todos os banqueiros centrais entendem que em uma situação como essa de choque de oferta tende-se a ter mais inflação e menos crescimento. E talvez, quanto mais aguda for a crise, maior impacto nessa segunda parte”, afirmou.

O presidente do BC destacou que existe uma tendência no Brasil de correlacionar positivamente os preços do petróleo e o crescimento econômico, mas que essa correlação geralmente decorre de uma pressão de demanda nos preços do petróleo, o que não é o caso do choque atual.

Diante desse cenário, a Petrobras ampliou a oferta de diesel e gasolina em abril, em meio a uma baixa importação. O governo, por sua vez, vê um espaço limitado para agir, e o ministro Durigan anunciou que cobrará respostas dos governadores sobre a possível subvenção ao diesel. A escalada do preço do petróleo, especialmente do diesel, pressiona a inflação e encarece o frete de alimentos, gerando preocupação em diversos setores da economia.

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