Israel anunciou a revogação das licenças de atividade de várias organizações não governamentais (ONGs) que operam na Faixa de Gaza, incluindo a Médicos Sem Fronteiras (MSF). O governo israelense alega que funcionários dessas organizações "estiveram envolvidos em atividades terroristas".
O Ministério dos Assuntos da Diáspora e da Luta contra o Antissemitismo de Israel informou que 15% das ONGs que atuam na região não forneceram "informações completas e verificáveis sobre seus funcionários", como exigido por uma nova regulamentação introduzida em 2025. Essa medida foi amplamente criticada pela ONU, que denunciou que os critérios utilizados eram "vagos, arbitrários e altamente politizados".
Além da MSF, outras organizações humanitárias terão suas licenças suspensas a partir de 1º de janeiro de 2026, devendo encerrar suas atividades até 1º de março do mesmo ano. O governo israelense afirma que essa decisão não afetará o "fluxo de assistência humanitária a Gaza", uma vez que o veto atinge apenas "uma pequena fração da atividade humanitária total".
No entanto, a medida é vista com preocupação pela comunidade internacional, que teme que a restrição ao trabalho de ONGs em Gaza possa comprometer o acesso da população local a serviços essenciais. A MSF, por exemplo, é uma das principais organizações que atuam na prestação de cuidados de saúde na região.
Israel justifica a decisão afirmando que o novo sistema de registro de ONGs internacionais, introduzido em 2025, visa estabelecer "requisitos claros de transparência" e impedir que as organizações estejam envolvidas em atividades consideradas hostis ao Estado israelense. No entanto, a ONU e as próprias ONGs criticam duramente essa regulamentação.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Oren Marmorstein, afirmou que as inscrições das ONGs continuam abertas e que as solicitações continuarão sendo analisadas e processadas. Ainda assim, a revogação das licenças de organizações como a MSF representa um novo ponto de tensão na já delicada relação entre Israel e a comunidade humanitária internacional.

