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jueves, 23 de julio de 2026

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IA vs. Pentágono: La Guerra Silenciosa Que Define El Futuro
internacional 22 de marzo

IA vs. Pentágono: La Guerra Silenciosa Que Define El Futuro

A disputa entre a Anthropic e o Pentágono gira em torno do acesso ético à inteligência artificial de ponta Getty Images Enquanto o mundo observava a operação dos EUA na Venezuela e como a guerra com o Irã se tornava inevitável, uma batalha se desenhava em Washington — um alerta de que o futuro profetizado por anos, sobre o papel da inteligência artificial nas guerras, já havia chegado. Uma empresa de inteligência artificial do Vale do Silício se recusou a seguir ordens do Pentágono (o departamento de Defesa dos EUA). E o Pentágono a tratou como se fosse inimiga do Estado. Mesmo assim, sua tecnologia de IA continuou sendo usada porque as Forças Armadas dos EUA não podiam se dar ao luxo de ficar sem ela. Foi o que aconteceu entre a Anthropic e o departamento de Defesa nas últimas semanas. E embora tudo pareça uma mera disputa corporativa, é muito mais do que isso. É a primeira vez que uma empresa de IA confronta um aparato militar, recusando-se a eliminar limites éticos de sua tecnologia. O confronto deixou no ar questões que preocupam a todos: até que ponto os humanos já estão delegando decisões irreversíveis e letais a máquinas? Quem decide como a IA é usada? Essas não são perguntas retóricas. Especialistas da Universidade de Oxford alertam que este episódio "revela lacunas de governança antigas na integração da IA ​​em operações militares. Essas lacunas são anteriores neste governo (dos EUA) e persistirão após a controvérsia atual". Por que — se a humanidade teme chegar a este ponto há tanto tempo — ainda existe um vácuo tão grande na governança da IA? É um vácuo que Logan Graham, líder da Equipe Vermelha da Anthropic, que analisa cenários negativos envolvendo tecnologia — de ataques cibernéticos a ameaças à biossegurança — conhece muito bem. "A intuição de algumas pessoas, por terem crescido em um mundo pacífico, é de que em algum lugar existe uma sala cheia de adultos que sabem como resolver tudo", disse ele à revista Time. "Não existem esses grupos de adultos. Não existe nem mesmo uma sala. A responsabilidade é sua." Pergunta difícil Em algum momento durante a operação que culminou em 3 de janeiro com a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, a ferramenta Claude, da Anthropic, foi usada para processar dados e auxiliar na tomada de decisões. Essa informação foi divulgada independentemente pelo Wall Street Journal e pelo site Axios, citando fontes com conhecimento direto dos eventos, e posteriormente confirmada pela revista Time, que publicou um extenso perfil da Anthropic, a empresa sediada em San Francisco que criou o Claude. Nem o departamento de Defesa nem a Anthropic confirmaram oficialmente essa informação. Mas o que aconteceu em seguida está documentado e é muito mais revelador do que o próprio evento. A operação para capturar Nicolás Maduro foi o estopim da disputa envolvendo a Antrhopic Getty Images Após a captura de Maduro, um executivo da Anthropic contatou a Palantir — a empresa de análise de dados que atua como intermediária tecnológica entre o Vale do Silício e o governo dos EUA — e perguntou: nosso software foi usado nessa operação? A pergunta fez soar um alarme em Washington. Emil Michael, Subsecretário de Defesa e Diretor de Tecnologia do Pentágono, disse que isso gerou profunda preocupação: será que a Anthropic, em um conflito futuro, poderia "desligar seu modelo no meio de uma operação" — ativar algum mecanismo de rejeição — "e colocar vidas em risco"? A Anthropic contesta essa interpretação: a empresa afirma que nunca tentou limitar o uso do Pentágono em nenhum caso específico e que a pergunta era rotineira. Mas em seguida, houve uma rápida escalada de tensões. O Pentágono exigiu que a Anthropic concedesse acesso irrestrito à sua tecnologia para "todos os usos legais". A Anthropic recusou. Pete Hegseth, Secretário de Defesa de Trump, classificou a Anthropic como um "risco para a cadeia de suprimentos", um rótulo historicamente reservado para empresas ligadas a rivais estrangeiros como a Huawei ou a Kaspersky, e não para empresas americanas que simplesmente discordam do governo. A Anthropic processou o Pentágono por exceder sua autoridade e salvaguardas éticas, violando direitos fundamentais. Vários especialistas jurídicos acreditam que a empresa tem grandes chances de vencer a dispta jurídica. O presidente Donald Trump, por sua vez, ordenou que todas as agências federais parassem de usar a tecnologia da Anthropic. E coroou a controvérsia com uma mensagem na plataforma Truth Social, escrita inteiramente em letras maiúsculas: "Os EUA jamais permitirão que uma empresa progressista ('woke') e radical de esquerda dite como nossas grandes forças armadas lutam e vencem guerras." Em seu vocabulário e no de seus seguidores, "woke" é o maior dos insultos, um rótulo depreciativo para descrever ideias ou políticas progressistas relacionadas à identidade de gênero, desigualdade ou justiça social. Linhas vermelhas A Anthropic tem uma história singular. Foi fundada em 2021 por ex-pesquisadores da OpenAI com a premissa explícita de que a inteligência artificial representa um dos maiores riscos existenciais para a humanidade e que, precisamente por essa razão, é fundamental que aqueles que a desenvolvem sejam pessoas comprometidas em fazê-lo com segurança. Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI Getty Images Em julho de 2025, a Anthropic assinou um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa, o primeiro desse tipo: um laboratório de IA que integra seus modelos em fluxos de trabalho de missão em redes classificadas. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, justificou isso em um texto publicado em janeiro deste ano. Ele escreveu que a Anthropic apoiava as forças militares e de inteligência dos EUA porque "a única maneira de responder a ameaças autocráticas é igualá-las e superá-las militarmente". Ele acrescentou: "A formulação a que cheguei é que devemos usar IA para a defesa nacional em todas as suas formas, exceto aquelas que nos tornariam mais parecidos com nossos adversários autocráticos". Consequentemente, o contrato com o Pentágono estabeleceu duas "linhas vermelhas": o Claude não poderia ser usado para vigilância doméstica em massa ou para armas totalmente autônomas. Esses limites invioláveis ​​não são arbitrários; eles se baseiam em um documento da empresa que serve como sua "alma". Seu objetivo declarado é "prevenir catástrofes em larga escala", incluindo a possibilidade de a IA ser usada por um grupo humano para "tomar o poder de forma ilegítima e não colaborativa". Amodei também argumentou perante o Pentágono que "os sistemas de IA de última geração simplesmente não são confiáveis ​​o suficiente para alimentar armas totalmente autônomas". Neste contexto, não se trata de armas que decidem por conta própria a quem matar. "Autonomia" significa que um sistema pode atingir certos objetivos sozinho — ou com supervisão humana mínima — em ambientes complexos. Mas existem sistemas automatizados que ajudam a tomar decisões sobre ataques. Especialistas em inteligência artificial alertam para um problema conhecido como "viés de automação": quando as regras de uso são vagas, os humanos tendem a confiar nas recomendações da máquina mais do que deveriam. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A IA não substitui o julgamento humano de uma vez: ela o corrói aos poucos, até que o operador pare de questioná-lo. Em uma situação tensa, se o sistema — que você sabe que analisou uma imensa quantidade de informações — aponta para alguns pixels na tela como um alvo urgente, é fácil aceitar sua recomendação sem muita hesitação. Ou se um sistema de reconhecimento facial identifica alguém em uma multidão, um agente de segurança provavelmente confiará no resultado e procederá com a prisão. Existem precedentes concretos: em diversas ocasiões documentadas, vários departamentos de polícia nos EUA acabaram prendendo pessoas erradas. Isso coincide com a outra linha vermelha que enfureceu o governo Trump: a vigilância em massa, que afeta o cotidiano de pessoas que não estão em nenhuma zona de guerra. Cabe ressaltar que a Anthropic se opôs especificamente à vigilância em massa de cidadãos americanos. Sua posição não é universalista. Mas o princípio por trás dela tem um alcance mais amplo. E ganha urgência porque, paralelamente a esse conflito, o governo dos EUA anunciou planos para usar IA por meio da Palantir para apoiar as operações do ICE — a agência de imigração — rastreando a localização em tempo real e o histórico financeiro de pessoas sem documentos. Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI Getty Images A vigilância em massa, em diferentes graus e em diversas populações, já existe. A questão não é mais se ela ocorre, mas sim quantos controles ainda existem sobre como ela é usada. Nesse contexto, as "linhas vermelhas" da Anthropic não são apenas filosofia corporativa: são, por ora, um dos poucos mecanismos concretos de controle e equilíbrio existentes. O problema é que as restrições são tão fortes quanto o mecanismo que as impõe. E quando o Pentágono rejeitou esses limites e exigiu acesso irrestrito, a Anthropic se viu sozinha para manter sua posição, sem um arcabouço legal para apoiá-la e sem regulamentação internacional para protegê-la, tendo apenas suas cláusulas contratuais como escudo. O que é considerado legal? A relutância do departamento de Defesa em permitir que uma empresa privada imponha limites é, para muitos, justificada. Embora as recentes operações militares em cidades dos EUA, na Venezuela e no Irã tenham sido conduzidas com mínima consulta ao Congresso, o uso de IA é tão crucial que deveria ser regulamentado por leis aprovadas por representantes democraticamente eleitos, argumentam alguns. Mas o Legislativo ainda não aprovou leis sobre o assunto. Assim, a exigência do Pentágono pela liberdade de usar o Claude para "todos os usos lícitos" parece razoável até que se questione o que, exatamente, é lícito nesse contexto. Não há uma definição consensual no direito internacional sobre o que constitui uma arma autônoma letal. O direito internacional humanitário — as normas que regem os conflitos armados desde as Convenções de Genebra — foi construído em torno de decisões humanas: um soldado apertando o gatilho e um comandante dando uma ordem. Esses marcos não contemplam sistemas que detectam, selecionam e eliminam alvos com mínima ou nenhuma intervenção humana direta. É o que os especialistas chamam de "vácuo de responsabilidade": uma deficiência crítica em que as estruturas legais existentes não conseguem determinar quem é o responsável quando um sistema autônomo comete uma violação. Se um drone com inteligência artificial matar civis, quem será responsabilizado? O programador? O comandante? A empresa que fabricou o sistema? O direito internacional não oferece uma resposta clara. E, na ausência de resposta, "uso lícito" significa, na prática, o que cada Estado decidir que significa. Pete Hegseth, Secretário de Defesa de Trump, classificou a Anthropic como um 'risco para a cadeia de suprimentos', rótulo historicamente reservado para empresas ligadas a rivais estrangeiros como a Huawei ou a Kaspersky Getty Images Nesse contexto, surge uma questão delicada: essa discussão está sendo a feita no tempo certo? A resposta talvez seja: não oportuna o suficiente para ser preventiva; mas ainda assim, sim, oportuna o suficiente para ser útil. O debate formal sobre armas autônomas começou em 2013. Onze anos depois, o resultado são diretrizes voluntárias. Em 2024, durante uma conferência internacional em Viena, o Ministro das Relações Exteriores da Áustria incentivou o progresso com uma declaração inquietante: "Este é o momento Oppenheimer da nossa geração". Ele se referia ao momento em que a humanidade tomou consciência do poder destrutivo da bomba atômica: como naquela ocasião, a tecnologia já existe, e agora é preciso decidir como controlá-la. Só que, diferentemente das armas nucleares — caras, escassas e com uma marca inconfundível —, os sistemas autônomos são baratos, produzidos em massa e difíceis de rastrear. Portanto, são estruturalmente mais difíceis de controlar por meio de tratados. Naquele mesmo ano de 2024, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução criando um fórum, sob supervisão das Nações Unidas, para discutir os desafios e preocupações com o uso de armas autônomas e o que fazer sobre isso, com 166 votos a favor. Apenas três países votaram contra: Rússia, Coreia do Norte e Belarus. O voto mostra que a preocupação é quase universal. O que falta é um tratado vinculativo e mecanismos de aplicação, algo que o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, vem defendendo há alguns anos. Alguns especialistas, no entanto, temem que, como aconteceu com outras armas, tal tratado só seja firmado após uma catástrofe. A lógica da velocidade Enquanto advogados e diplomatas debatem, engenheiros constroem. E o que eles constroem já está sendo usado. O general americano Stanley McChrystal, ex-comandante das forças americanas e da Otan no Afeganistão, certa vez resumiu isso de forma contundente: nunca antes na história alguém foi capaz de ver, decidir e matar uma pessoa do outro lado do mundo em questão de minutos. Essa afirmação agora precisa ser atualizada. A questão não é mais apenas ver, decidir e matar, mas até que ponto estamos dispostos a delegar a decisão a uma máquina. Essa transição já está sendo testada no campo de batalha. Na Ucrânia, em dezembro de 2024, as forças do país realizaram a primeira operação totalmente não tripulada perto de Kharkiv: dezenas de veículos terrestres autônomos e drones atacaram posições russas sem nenhum soldado em terra. A lógica tática é esclarecedora. Os operadores lançam os drones e veículos autônomos sabendo que a comunicação com eles será bloqueada em poucos minutos. O sucesso depende de quão bem eles são programados para agir autonomamente quando isso acontecer. Eles navegam de forma independente, evitam interferências eletrônicas e continuam a missão mesmo sem supervisão humana. Isso não é um detalhe insignificante: os drones já causam entre 70% e 80% das vítimas nessa guerra, de acordo com estimativas da inteligência europeia. Assim que a Anthropic perdeu o contrato, sua rival OpenAI surgiu como alternativa Getty Images Na região do Golfo, a tendência aponta na mesma direção. O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, reconheceu que a inteligência artificial é uma ferramenta fundamental para a identificação de alvos, permitindo que os EUA "analisem vastas quantidades de dados em segundos, para que nossos líderes possam tomar decisões mais inteligentes e mais rápidas do que o inimigo". Acordo com o OpenAI A história tem um final paradoxal. Dario Amodei declarou, referindo-se às exigências do Pentágono: "Não podemos, em sã consciência, atender ao pedido deles." A Anthropic perdeu o contrato. Horas depois do anúncio, a OpenAI chegou a um acordo com o Departamento de Defesa. E então algo inesperado aconteceu. No dia seguinte ao anúncio do novo acordo pelo Pentágono, o aplicativo Claude ultrapassou o ChatGPT da OpenAI na App Store da Apple pela primeira vez na história. Naquela semana, mais de um milhão de pessoas se cadastraram no Claude todos os dias, impulsionando-o ao primeiro lugar em mais de 20 países. As vendas da empresa dispararam entre o público em geral. E tem mais. Duas coalizões de trabalhadores da Amazon, Google, Microsoft e OpenAI pediram publicamente que suas empresas seguissem o exemplo da Anthropic. Dezenas de cientistas e pesquisadores de empresas concorrentes assinaram um parecer jurídico em apoio à Anthropic. Um general aposentado da Força Aérea, que liderou o Projeto Maven — o controverso programa de drones com IA que provocou protestos massivos de funcionários do Google em 2018 até a empresa abandonar o contrato — escreveu nas redes sociais que, embora se esperasse que ele apoiasse o Pentágono, simpatizava mais com a posição da Anthropic. E talvez igualmente importante: a Anthropic consolidou o apoio de seus próprios engenheiros, alguns dos profissionais mais requisitados do Vale do Silício, em um dos mercados de talentos mais competitivos do planeta, onde contratos para atrair ou reter esses indivíduos podem valer dezenas de milhões de dólares. LEIA TAMBÉM: FATO OU FAKE: O que sabemos sobre acusações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu em cafeteria Família encontra canadense no Brasil com ajuda de IA e descobre que ele morreu O anticristo na porta do Vaticano: palestra de bilionário de IA em Roma causa mal-estar na Igreja

China Aprieta las Tuercas: ¿Fin de la Identidad Étnica?
internacional 22 de marzo

China Aprieta las Tuercas: ¿Fin de la Identidad Étnica?

A minoria dos uigures sofreu medidas de assimilação forçada nos últimos anos DW - Michael Reynolds/dpa/picture alliance Na semana passada, a Assembleia Popular Nacional, o principal órgão legislativo da China, aprovou por esmagadora maioria a chamada "lei da unidade étnica", que havia sido apresentada três anos antes, com 2.756 votos a favor, três abstenções e três votos contra. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Cerca de 442 delegados de grupos étnicos minoritários participaram da votação, representando aproximadamente 14% de todos os membros do parlamento. Pequim afirma que a lei promoverá a unidade nacional e eliminará as desvantagens enfrentadas por grupos étnicos na vida social. A China, um Estado multiétnico com 1,4 bilhão de habitantes, reconhece oficialmente 56 grupos étnicos, dos quais 55 são classificados como minorias. O maior grupo, os chineses han, representa 92% da população, com quase 1,2 bilhão de pessoas. A língua deles, o mandarim, é a língua oficial do país. Os outros grupos étnicos incluem os mongóis (6,3 milhões), os muçulmanos hui (11,4 milhões), os tibetanos (7,1 milhões) e os muçulmanos uigures (11,7 milhões). Alguns grupos étnicos menores não são oficialmente reconhecidos, o que inclui a comunidade judaica, estimada em algumas milhares de pessoas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Minorias temem repressão A lei de 65 artigos entrará em vigor em 1o de julho. O primeiro artigo afirma que o objetivo dela é "forjar um forte senso de comunidade do povo chinês, promover o estabelecimento da comunidade do povo chinês e avançar na realização do grande rejuvenescimento do povo chinês". A lei não especifica penalidades concretas por violações, remetendo ao código penal. "Quando a organização, o planejamento ou a realização de atividades terroristas violentas, atividades de divisão étnica ou atividades extremistas religiosas constituírem crime, a responsabilidade criminal deverá ser buscada de acordo com a lei", afirma o 62o artigo. Críticos veem a lei como uma forma de permitir que as autoridades de Pequim classifiquem demandas das minorias por autonomia cultural como movimentos rumo ao "separatismo". "Em combinação com a lei antiterrorismo de 2016, que serviu de base legal para os campos de internação em massa, essa nova lei intensificará ainda mais a repressão aos uigures no Turquestão Oriental, especialmente no que diz respeito às liberdades linguísticas, culturais e religiosas", avalia Turgunjan Alawdun, presidente do Congresso Mundial Uigur, uma entidade com sede em Munique e que atua como uma organização de defesa política dos uigures exilados. Alawdun se refere à região autônoma do Xinjiang, no noroeste da China, como Turquestão Oriental, um termo popular entre separatistas uigures. Campos de detenção em massa para os uigures (uma minoria de língua turcomana e predominantemente muçulmana) foram construídos em Xinjiang sob o pretexto de "centros de educação e treinamento vocacional" usados para combater o "extremismo e o terrorismo". "Nos últimos dez anos, medidas de assimilação forçada da identidade cultural e religiosa uigur já causaram danos graves", acrescenta Alawdun. Para o especialista Jack Burnham, do think tank americano Fundação para a Defesa das Democracias , a lei acelera os esforços de Pequim para reprimir minorias étnicas, especialmente no Tibete e em Xinjiang, e cria uma base legal para essa repressão. Medidas específicas do Estado incluem proibir uigures de participar de orações e destruir mesquitas históricas", diz Burnham. Também foram criados incentivos para encorajar chineses han a se estabelecerem em grande número nas áreas uigures. Atualmente, os uigures representam apenas cerca de 45% da população de sua própria região autônoma de Xinjiang. Mudança na hierarquia linguística Vários grandes grupos étnicos na China ainda mantêm suas línguas e sistemas de escrita. Esses idiomas aparecem, por exemplo, nas cédulas chinesas. No entanto, a nova lei coloca a língua dos han acima das demais. A nova lei estabelece que as línguas minoritárias não podem ser a principal língua de ensino, apesar de, na prática, o mandarim já ser a principal língua de ensino na Mongólia Interior, no Tibete e em Xinjiang. "Escolas e outras instituições educacionais devem usar a língua e a escrita comuns da nação como base para a educação e o ensino", diz a lei. De acordo com o 15o artigo, o mandarim deve ser ensinado a todas as crianças antes do jardim de infância e durante toda a educação obrigatória até o fim do ensino secundário. "O Estado deve promover o aprendizado do mandarim entre alunos da educação infantil, de modo que os jovens que concluam a educação obrigatória tenham conhecimento básico da língua e da escrita comuns da nação." Até recentemente, as minorias tinham alguma autonomia sobre a língua usada nas escolas. Nacionalismo han Do ponto de vista ideológico e político, todos os grupos étnicos devem ser mais estreitamente integrados à sociedade majoritariamente han e ao Partido Comunista. A lei exige que o Estado "lidere cada grupo étnico a cultivar um espírito étnico com o patriotismo em seu núcleo e persistir na identificação com a grande pátria, o povo chinês, a cultura chinesa, o Partido Comunista Chinês e o Socialismo com Características Chinesas." Isso, argumenta Burnham, promove o nacionalismo han. "Além da ênfase no mandarim em vez de línguas regionais na educação e nos serviços públicos, a lei força minorias a viver em 'comunidades mistas', com uma substancial população han", afirma. Nas regiões habitadas por minorias étnicas, a resistência tem sido forte quando se trata de suas línguas e escritas, vistas como as últimas marcas remanescentes de sua identidade. Em 2020, grandes protestos eclodiram na região autônoma da Mongólia Interior depois que as autoridades educacionais locais baniram o uso de livros didáticos em língua mongol nas escolas primárias e secundárias. Até então, os alunos podiam estudar grande parte do currículo em mongol. Hoje os estudantes da região apenas podem estudar mongol como língua estrangeira, cerca de uma hora por dia. Assim que a lei entrar em vigor, as comunidades religiosas locais também não poderão mais impedir casamentos que conflitem com suas crenças ou costumes. Hoje a conversão ao islamismo é comum antes de um casamento muçulmano, caso ambos os parceiros não sejam muçulmanos. "Essa é uma tática que visa dissolver as comunidades étnicas dentro da maioria han", afirma Burnham.

ÚLTIMO ADIÓS: Leyenda teatral dice adiós
entretenimiento 22 de marzo

ÚLTIMO ADIÓS: Leyenda teatral dice adiós

A despedida do ator, escritor e diretor Juca de Oliveira reuniu artistas da nova geração e da velha guarda do teatro e da televisão, além de amigos e familiares. O velório aconteceu neste sábado (21), em uma casa funerária no bairro Bela Vista, centro de São Paulo.O ícone da dramaturgia morreu, aos 91 anos, nesta madrugada, no Hospital Sírio-Libanês. Ele estava internado numa UTI para tratar uma pneumonia e um problema cardíaco. Na segunda (16), Juca fez aniversário no leito hospitalar. Isabella Faro de Oliveira, única filha do artista, agradeceu a presença do público e da imprensa na cerimônia. Em entrevista coletiva, ela ressaltou a influência artística na cultura e dentro de casa."O Juca foi um pai maravilhoso. Eu trabalho com teatro, a gente sempre respirou o teatro. E eu tenho uma filha de quatro anos que era apaixonada por ele, e esse é o maior legado que ele tem. A minha filha ama teatro, e provavelmente vai seguir a carreira dele", disse."Meu pai deixa uma história indiscutível no teatro brasileiro. E a gente está com uma homenagem. Tem três peças dele em capaz. Ele era um apaixonado pelo teatro, pela cultura, pelas pautas sociais e pela política", acrescentou Isabella. O velório começou às 15h, na Funeral Home. O enterro está marcado para o domingo, no Cemitério do Araçá, zona oeste da capital paulista. Juca construiu uma carreira de sete décadas que se estendeu dos palcos do Teatro Brasileiro de Comédia e do Teatro de Arena, de forte viés político na década de 1960, às dezenas de seriados e novelas na TV, como em "Nino, o Italianinho", "Saramandaia" e "O Clone".Miriam Mehler, 91, atriz da velha guarda e colega de Juca no teatro Arena, lamentou a morte do amigo. Ela, também com 70 anos de carreira, não poupou elogios ao legado do artista."O Juca, além de ser um amigo maravilhoso, um ator, um autor, ele era um ser humano fantástico. Então, vai fazer muita falta aqui nesse nosso universo. Sua partida é dolorosa"...

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