politicaSanta Catarina propone restringir cuotas raciales en universidades tras fallo del STF
BRUNO LUCCA SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) Menos de três meses depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar a lei que proibia cotas raciais nas universidades catarinenses, deputados aliados do governador Jorginho Mello (PL) voltaram a propor mudanças na política de ações afirmativas do estado. Desta vez, em vez de extinguir a reserva de vagas para estudantes negros, o projeto restringe seu alcance ao condicioná-las a critérios de renda e limitar o total de vagas reservadas. A proposta, de autoria do deputado estadual Alex Brasil (PL) -o mesmo que propôs a lei derrubada-, começou a ser analisada nesta terça-feira (14) pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O relator da matéria, deputado Maurício Peixer (PL), votou pela constitucionalidade do texto. A apreciação, porém, foi interrompida após um pedido de vista do deputado Napoleão Bernardes (PSD), em uma sessão marcada por bate-boca entre parlamentares e protestos de estudantes e representantes do movimento negro. A Lei de Cotas, em vigor nas universidades e institutos federais desde 2012, determina que 50% das vagas sejam reservadas a estudantes que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. Dentro dessa reserva, as vagas são distribuídas de acordo com critérios de renda e com a composição racial da população de cada estado, contemplando estudantes pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. Nas universidades estaduais, porém, as regras são definidas por legislação própria. Hoje, a política de ações afirmativas em Santa Catarina prevê modalidades distintas para estudantes negros, egressos da rede pública, pessoas com deficiência e candidatos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, sem exigir que o candidato beneficiado pelas cotas raciais também cumpra critérios de renda. O projeto apresentado por Alex Brasil altera essa lógica. Embora mantenha a possibilidade de adoção de cotas raciais, determina que estudantes negros só poderão disputar essas vagas se também atenderem aos critérios de vulnerabilidade socioeconômica estabelecidos em edital. Além disso, fixa que a soma de todas as modalidades de cotas e ações afirmativas não poderá ultrapassar 20% das vagas oferecidas em cada processo seletivo. Na prática, a proposta transforma as cotas raciais em uma modalidade cumulativa. Hoje, raça e renda funcionam como critérios independentes na política estadual de ações afirmativas. Se o projeto for aprovado, candidatos negros só poderão acessar as vagas reservadas se também estiverem dentro da faixa de renda definida pela instituição de ensino. A iniciativa representa uma mudança de estratégia do grupo político que, neste ano, aprovou a lei posteriormente derrubada pelo Supremo. Na ocasião, a Assembleia extinguiu completamente a possibilidade de universidades estaduais e instituições privadas financiadas pelo Estado adotarem cotas raciais e outras ações afirmativas. Agora, em vez de eliminar a política, os deputados buscam reformulá-la. A mudança aparece também na justificativa do projeto. Enquanto a lei anulada pelo STF contrariava frontalmente a jurisprudência da Corte ao extinguir as cotas, a nova proposta procura se apoiar justamente nesse entendimento. O texto afirma que as ações afirmativas constituem um instrumento legítimo de promoção da igualdade material, cita precedentes do Supremo que reconheceram a constitucionalidade das cotas raciais e diz que o objetivo não é suprimir a política, mas "reorganizá-la", combinando critérios raciais, socioeconômicos e educacionais para direcionar as vagas aos estudantes em situação de maior vulnerabilidade. Ao julgar a norma anterior, os ministros do STF entenderam que Santa Catarina contrariou uma jurisprudência consolidada da Corte, que, desde 2012, reconhece a constitucionalidade das ações afirmativas como mecanismo de enfrentamento das desigualdades raciais. Relator das ações, o ministro Gilmar Mendes afirmou que a norma violava a autonomia universitária ao impedir que as instituições definissem suas próprias políticas de inclusão. Também criticou a aprovação da lei sem estudos que demonstrassem a desnecessidade das cotas e afirmou que o Estado desconsiderou evidências sobre a persistência das desigualdades raciais no acesso ao ensino superior. Para Mendes, as políticas de ações afirmativas concretizam o princípio da igualdade material previsto na Constituição e atendem a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no combate ao racismo. Na CCJ, o relator Maurício Peixer afirmou que o novo projeto é compatível com a decisão do Supremo justamente por preservar as cotas raciais e redefinir seus critérios de aplicação. Parlamentares da oposição e representantes dos movimentos negros, por outro lado, argumentaram que a proposta esvazia a política afirmativa ao restringir o universo de beneficiários e impor um teto ao conjunto das vagas reservadas. Após o pedido de vista, a matéria deverá voltar à pauta da Comissão de Constituição e Justiça antes de seguir para análise das demais comissões da Assembleia.
miércoles, 15 de julio de 2026, 00:07
BR
jornaldebrasilia
En un nuevo giro legislativo, diputados aliados al gobernador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), han presentado una propuesta para modificar la política de acciones afirmativas en las universidades estatales. Esta iniciativa surge menos de tres meses después de que el Supremo Tribunal Federal (STF) anulara una ley anterior que prohibía totalmente las cuotas raciales en las instituciones de educación superior del estado.
El nuevo proyecto, impulsado por el diputado estatal Alex Brasil (PL) —quien fue el autor de la ley derogada por el máximo tribunal—, no busca la extinción total de la reserva de plazas para estudiantes negros, sino que pretende restringir significativamente su alcance. La propuesta plantea dos cambios fundamentales: condicionar el acceso a las cuotas raciales a criterios de renta y establecer un límite máximo para el total de vacantes reservadas.
La materia comenzó a ser analizada el pasado martes 14 de julio por la Comisión de Constitución y Justicia (CCJ) de la Asamblea Legislativa de Santa Catarina. Durante la sesión, el relator del proyecto, el diputado Maurício Peixer (PL), emitió un voto a favor de la constitucionalidad del texto. No obstante, el avance de la votación fue interrumpido debido a un pedido de vista solicitado por el diputado Napoleão Bernardes (PSD). La jornada estuvo marcada por un clima de tensión, con discusiones entre los parlamentarios y protestas activas de estudiantes y representantes del movimiento negro.
Para comprender el impacto de esta propuesta, es necesario analizar la diferencia entre el sistema actual y el propuesto. Actualmente, la política de acciones afirmativas en las universidades estatales de Santa Catarina contempla modalidades independientes para estudiantes negros, egresados de la red pública, personas con discapacidad y candidatos en situación de vulnerabilidad socioeconómica. Bajo este esquema, un candidato que se beneficie de las cuotas raciales no tiene la obligación de cumplir con criterios de renta para acceder a la plaza.
El proyecto de Alex Brasil altera esta lógica al transformar las cuotas raciales en una modalidad cumulativa. Si el texto es aprobado, los estudiantes negros solo podrán disputar las plazas reservadas si también cumplen con los criterios de vulnerabilidad socioeconómica definidos en el edital de cada institución. En términos prácticos, la raza y la renta dejarían de ser criterios independientes para convertirse en requisitos conjuntos.
Además, la propuesta introduce un tope cuantitativo: la suma de todas las modalidades de cuotas y acciones afirmativas no podría superar el 20% de las vacantes ofrecidas en cada proceso selectivo.
Este movimiento representa un cambio de estrategia por parte del grupo político vinculado al gobernador. Mientras que la ley anterior intentaba eliminar completamente las cuotas raciales —lo que llevó a su anulación por el STF—, la nueva propuesta busca reformular la política utilizando la propia jurisprudencia de la Corte. El texto del proyecto afirma que las acciones afirmativas son instrumentos legítimos para promover la igualdad material y cita precedentes del Supremo que reconocen la constitucionalidad de estas medidas. La justificación sostiene que el objetivo no es suprimir la política, sino "reorganizarla" para dirigir las plazas a los estudiantes en situación de mayor vulnerabilidad.
Cabe recordar que, al juzgar la norma anterior, el ministro Gilmar Mendes, relator de las acciones en el STF, señaló que Santa Catarina había contrariado una jurisprudencia consolidada desde 2012. El ministro enfatizó que la ley anterior violaba la autonomía universitaria al impedir que las instituciones definieran sus propias políticas de inclusión y criticó la falta de estudios que justificaran la desnecesidad de las cuotas, ignorando las evidencias sobre la persistencia de las desigualdades raciales en el acceso a la educación superior. Mendes subrayó que estas políticas concretan el principio de igualdad material previsto en la Constitución y cumplen con compromisos internacionales de Brasil en la lucha contra el racismo.
Mientras que el relator Maurício Peixer sostiene que el nuevo proyecto es compatible con la decisión del STF porque preserva las cuotas, la oposición y los movimientos sociales argumentan lo contrario. Según estos sectores, la medida esvacia la política afirmativa al restringir el universo de beneficiarios y limitar el porcentaje total de vacantes reservadas.
Tras el pedido de vista, el proyecto deberá regresar a la agenda de la Comisión de Constitución y Justicia antes de ser remitido a las demás comisiones de la Asamblea Legislativa para su análisis final.