O Santander (SANB11) reportou um lucro líquido gerencial de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma queda de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025, conforme divulgado em documento enviado ao mercado nesta quarta-feira (29). O resultado ficou abaixo das expectativas do consenso Bloomberg, que previa um lucro de R$ 4 bilhões. Em comparação com o quarto trimestre anterior, a queda foi ainda mais acentuada, atingindo 7,3%.
O retorno sobre o patrimônio (ROE), um indicador crucial para analistas, encerrou o período em 16%, com um recuo de 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior e de 1,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. A média das estimativas de cinco analistas consultados pelo Money Times era de 16,54%.
Com este desempenho, o Santander se distancia ainda mais da meta de 20% de ROE, ambicionada pela administração até 2028 e aguardada pelo mercado. Antes da divulgação do balanço, já havia previsões de resultados mais modestos para a filial do banco espanhol, que acumula uma queda de 12% no ano, após um aumento expressivo de 40% em 2025.
Analistas atribuem esse cenário a efeitos sazonais do primeiro trimestre, somados ao aumento do custo de crédito em decorrência da alta da taxa Selic. O banco tem mantido uma abordagem seletiva e conservadora na concessão de crédito desde o início de seu processo de recuperação, após sucessivos balanços negativos em 2023, priorizando segmentos de melhor risco-retorno.
As receitas totais do Santander permaneceram relativamente estáveis, totalizando R$ 21,2 bilhões, um aumento de 0,9% em relação ao ano anterior e de 0,8% em relação ao trimestre anterior. A margem financeira apresentou melhora, com um aumento de 3,1% em relação ao quarto trimestre, atingindo R$ 16,5 bilhões, mas registrou uma queda de 0,7% em comparação com o ano passado, refletindo a sensibilidade negativa ao aumento da taxa de juros.
Em contrapartida, a margem com clientes aumentou 4,8%, alcançando R$ 16,5 bilhões, impulsionada pelo aumento do spread e do volume no período. Na carteira de crédito, o banco adotou uma postura mais prudente, mantendo-a praticamente estável em R$ 705 bilhões, com uma queda de 0,4% em relação ao quarto trimestre e um aumento de 3,4% em comparação com o ano anterior.
Dentro da carteira de pessoa física, destacaram-se os produtos de cartões e crédito, com um incremento de 9,1%, e o crédito imobiliário, com um aumento de 10,6%. A financeira também apresentou um avanço significativo, de 14,2%, seguida pelas pequenas e médias empresas, que cresceram 9,9%.
No que diz respeito à qualidade do crédito, o índice de inadimplência de 15 a 90 dias encerrou o trimestre em 3,4%, com um aumento de 0,1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, permanecendo praticamente estável, "apesar de um cenário macroeconômico mais desafiador e da sazonalidade mais negativa devido à menor liquidez no período".
No entanto, o índice de inadimplência acima de 90 dias continua pressionado, atingindo 3,3%, com um aumento de 0,2 ponto percentual no trimestre e de 0,6 ponto percentual no ano, especialmente em pessoa física nas faixas de menor renda e, em pessoa jurídica, nas empresas de menor faturamento. O banco ressalta que o aprimoramento das regras de baixa a prejuízo, implementado ao longo de 2025, deverá impactar os índices de inadimplência ao longo de 2026.
As despesas com provisão para crédito duvidoso (PDD), o colchão utilizado pelos bancos para se proteger contra calotes, também foram impactadas pela conjuntura econômica. O Santander provisionou R$ 6,3 bilhões, representando um aumento de 3,9% no trimestre e uma queda de 0,7% no ano.
"A comparação trimestral da PDD permanece pressionada pelo cenário macroeconômico e pelo alto endividamento das famílias; já na comparação anual, a queda reflete a gestão ativa de riscos e os efeitos de mix do portfólio", explicou o banco.
As despesas gerais totalizaram R$ 6,6 bilhões, permanecendo estáveis no trimestre e com um aumento de 0,9% no ano, "bastante abaixo da inflação no período". O banco afirma que continua focado na gestão eficiente de custos, com o uso intensivo de tecnologia para otimizar processos e maximizar a produtividade.
Em outro desenvolvimento relevante, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 14,50% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual, conforme o esperado pelo mercado. Adicionalmente, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspenda a concessão de consignados e bloqueie cartões devido ao risco de fraude e vazamento de dados.
O IBOVESPA e as taxas de câmbio (dólar e euro) permaneceram estáveis durante o período.


