O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Uni o Europeia reposiciona o Brasil no tabuleiro internacional em um momento de forte turbul ncia geopolítica mundial. A combina o entre o unilateralismo norte-americano, a crescente centralidade da China na economia globalizada e a crise de governan a regional na América do Sul exige do governo Lula que evite o alinhamento automático a qualquer polo de poder. Nesse aspecto, o acordo com a UE amplia a margem de manobra estratégica do Brasil tanto diante dos Estados Unidos quanto da China.
A política externa dos EUA sob a lideran a de Donald Trump tem se caracterizado por a es unilaterais, rompimento de acordos internacionais e uso explícito de instrumentos econ micos e do seu poderio militar como alavancas de proje o de poder no mundo. Isso cria um ambiente de press o permanente para países como o Brasil, que precisam encontrar um ponto de equilíbrio entre aceitar as regras impostas por Washington ou arcar com custos comerciais, financeiros e políticos.
É nesse contexto que o acordo Mercosul-Uni o Europeia se torna um ativo geopolítico novo e estratégico para o Brasil. Ao abrir acesso preferencial a um mercado de mais de 700 milh es de consumidores, o país diversifica destinos de exporta o, reduz vulnerabilidades e fortalece sua posi o negociadora. Embora haja restri es s commodities agrícolas brasileiras por parte de alguns países europeus, os benefícios para a agricultura e a indústria brasileiras ser o grandes.
Sem depender excessivamente de um único parceiro seja Washington ou Pequim , o Brasil passa a operar com um leque mais amplo de op es, condi o essencial para preservar sua autonomia em um mundo que caminha para a divis o em áreas de influ ncia. O acordo com a UE funciona como um contrapeso oportuno e importante, permitindo ao país resistir a acordos bilaterais assimétricos sob press o política ou econ mica, sobretudo em rela o aos produtos industrializados.
Lula colhe uma grande vitória ao enfatizar o caráter multilateral do acordo Mercosul-Uni o Europeia como resposta ao protecionismo e ao unilateralismo. N o se trata de uma escolha ideológica, mas de uma aposta pragmática que fortalece a posi o global do Brasil em um momento de turbul ncia geopolítica.











