Os aclamados diretores belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, conhecidos por seus filmes socialmente engajados e humanistas, estreiam no Brasil com seu mais recente lançamento, "Jovens Mães". O longa-metragem, vencedor do Prêmio de Melhor Roteiro e do Prêmio do Júri Ecumênico no último Festival de Cannes, retrata o drama de cinco adolescentes grávidas que vivem juntas em um abrigo na região de Liège, na Bélgica.
Fiel à sua abordagem realista e empática, o filme dos irmãos Dardenne não se concentra em ilustrar um problema social, mas em moldar as escolhas e a jornada de seus personagens marginalizados. Conforme explicam em entrevista, a pobreza, o desemprego e a maternidade precoce surgem como elementos que desafiam e transformam as protagonistas, revelando as injustiças e desigualdades que enfrentam.
"Nossos personagens vivem em condições de pobreza. Ou seja, se há uma garrafa de água para três pessoas e sabemos que não conseguiremos água por um mês, o que fazemos com essa garrafa de água? Compartilhamos ou bebemos tudo sozinhos? A moralidade começa com as necessidades materiais. Portanto, as necessidades materiais são imediatamente espirituais", explica Luc Dardenne.
Para os diretores, a escolha de focar em personagens femininos também se deve ao fato de que as mulheres vivenciam de forma mais severa as desigualdades sociais. "O mundo também é injusto com os homens em alguns aspectos. Mas acredito que ele seja mais injusto com as mulheres do que com os homens. Basta ver os salários que os homens recebem e os salários que as mulheres recebem. E também o número de mulheres que são mortas por homens. O contrário é muito raro", afirma Luc.
Além disso, os irmãos Dardenne destacam o potencial de transformação e esperança que encontram nos jovens, mesmo diante de situações adversas. "Essas são situações em que se tem a oportunidade de amadurecer rapidamente. Isso é algo que nos interessa. E a segunda coisa que também nos interessa é que os jovens, porque são capazes de tudo, normalmente têm esperança de que as coisas vão melhorar, de que vão sair das situações em que se encontram", diz Jean-Pierre Dardenne.
Aplaudidos por cineastas como Martin Scorsese, que os elogiou por não "desviar o olhar da feiura da vida", os irmãos Dardenne seguem firmes em sua missão de retratar de forma humanista e empática a realidade social de seus personagens, sem perder a esperança de que a mudança é possível.
"Jovens Mães" chega aos cinemas brasileiros em 1º de janeiro, trazendo mais uma oportunidade para o público acompanhar o trabalho singular e profundamente humano dos aclamados diretores belgas.


