generalDORMIR EN CUENTOS: Castillos medievales abren sus puertas a huéspedes
Dormir dentro de um castelo não é para qualquer roteiro. Exige reserva antecipada, acesso quase sempre complicado e, em pelo menos um caso, disposição para vestir armadura no check-in. Quem topa essas condições ganha em troca o Dragsholm Slot dinamarquês, com estrela Michelin e cem fantasmas catalogados pela lenda local, ou o Solar do Castelo em Lisboa, onde os pavões do Castelo de São Jorge aparecem no pátio como se fossem da casa. No Japão, a torre de Ozu fecha para o público assim que o último turista do dia vai embora e abre exclusivamente para o próximo grupo que dormirá ali. Na Espanha, no interior de Castilla-La Mancha, uma fortaleza árabe do século VIII serve jantar nas mesmas abóbadas de sempre. Ozu Castle Stay — Japão Ozu Castle Stay Divulgação O check-in começa antes mesmo de chegar ao castelo. Um carro particular aguarda os hóspedes no aeroporto de Matsuyama e os conduz pela costa da Prefeitura de Ehime até a cidade de Ozu, uma hora depois, às margens do Rio Hiji. A chegada é cerimonial: samurais em armadura histórica disparam espingardas de mecha, desdobram as bandeiras do Domínio de Ozu e entregam as chaves do castelo ao grupo em um ritual que reproduz fielmente o protocolo de 1617. A partir dali, o castelo inteiro pertence aos hóspedes até o amanhecer. A torre de quatro andares foi reconstruída em 2004 com técnicas de carpintaria tradicionais e madeira de árvores com 250 anos, sem uma peça de concreto. Vigas talhadas à mão, paredes de bambu e barro, pisos que rangem sob os pés: a UNESCO reconheceu os métodos de restauração como Patrimônio Cultural Imaterial. O jantar é servido em uma das torres designadas como Bem Cultural Importante, com pratos que os Kato — família que governou o domínio por 13 gerações — reconheceriam na mesa. O café da manhã é no Garyu Sanso, villa histórica do período Meiji às margens do rio, exclusiva para os hóspedes do castelo naquele momento. Apenas um grupo por dia. A diária parte de ¥660.000 por pessoa. Ozu Castle Stay Divulgação Ashford Castle — Irlanda Ashford Castle — Irlanda Divulgação Às margens do Lough Corrib, no Condado de Mayo, o Ashford Castle foi erguido no século XIII e passou por mãos nobres, magnatas e pelo próprio tempo antes de se tornar um dos hotéis cinco estrelas mais celebrados da Europa. A chegada pela estrada arborizada que corta os 350 acres da propriedade já é parte da experiência: bosques, lago, rio e montanhas ao fundo compõem um cenário que parece pintado. Os interiores seguem o mesmo padrão de grandiosidade contida, com pedra original, madeiras escuras e lareira acesa nas tardes frias do oeste irlandês. O castelo é lar da escola de falcoaria mais antiga da Irlanda, e as sessões com os falcões pela manhã estão entre as experiências mais procuradas pelos hóspedes. A propriedade oferece ainda pesca no lago, equitação, tiro ao alvo com arco e flecha e caminhadas guiadas pelos caminhos históricos da fazenda. O restaurante principal serve refeições de vários tempos com ingredientes locais do Connacht. Há spa, piscina coberta e um campo de golfe de nove buracos. Quem chega por um fim de semana costuma precisar de mais. Ashford Castle — Irlanda Divulgação Solar do Castelo — Portugal Solar do Castelo — Portugal Divulgação No alto da Alfama, dentro dos muros do Castelo de São Jorge, há uma porta azul que leva ao único hotel instalado dentro do complexo medieval de Lisboa. O Solar do Castelo ocupa um palacete do século XVIII erguido sobre o que foram as cozinhas do Palácio Real, e guarda nos próprios alicerces uma cisterna com artefatos que remontam à Idade do Ferro. Os 20 quartos têm pisos de madeira, mobília de inspiração medieval contemporânea e tecidos em tons de vermelho e ocre, desenhados especialmente para o espaço pelo ateliê da designer portuguesa Graça Viterbo. Alguns ficam sob o telhado mansardo, com o teto inclinado rasando a cama. O pátio interno é o coração do hotel: ali, os pavões do castelo aparecem entre os hóspedes com a naturalidade de quem mora no lugar há séculos. O Fado ecoa lá embaixo, nas vielas da Alfama. Carros não entram na Vila do Castelo, e essa impossibilidade é parte do charme: a única forma de chegar é a pé pelas ruelas de paralelepípedo ou de táxi pelas entradas autorizadas. O café da manhã inclui pastéis de nata e há Porto esperando nos quartos à chegada. Solar do Castelo — Portugal Divulgação Château de Bagnols — França Château de Bagnols — França Divulgação No coração da Borgonha vinícola, entre os vinhedos do Beaujolais, o Château de Bagnols foi construído em 1217 pelo senhor feudal Guichard d'Oingt para durar séculos. Durou. As muralhas originais, o fosso, as torres de guarda e as pinturas renascentistas que decoram os salões sobreviveram a guerras, revoluções e ao esquecimento antes de uma restauração meticulosa devolver ao château o lugar que ocupa hoje entre os endereços mais desejados da França. Reaberto em maio de 2025 após nova rodada de reformas, o hotel combina a robustez da pedra medieval com interiores que não tentam disfarçar nenhum dos dois séculos em que vivem simultaneamente. Os quartos ficam dentro das estruturas históricas do castelo, com tetos abobadados, janelas em arco e espessura de parede que reduz o mundo exterior a um murmúrio. O restaurante usa os produtos dos produtores locais de Beaujolais e organiza degustações nas adegas originais. A região é uma das mais generosas da França em termos de paisagem e gastronomia, e o château funciona como base natural para explorar tudo isso sem pressa. Château de Bagnols — França Divulgação Langley Castle — Inglaterra Langley Castle — Inglaterra Divulgação Construído em 1350 em plena Northumberland, o Langley Castle serviu a lordes, viscondes e condes por séculos antes de se tornar um dos poucos castelos medievais fortificados da Inglaterra a operar como hotel. As ameias, as torres e o Grande Salão continuam exatamente onde sempre estiveram. Por dentro, paredes de pedra que chegam a metro e oitenta de espessura criam uma quietude quase física nos quartos, que têm tapeçarias, lareiras funcionais e camas com dossel. Alguns quartos ficam nas próprias torres, com janelas que enquadram as colinas de Northumberland como se fossem pinturas. Fica a 40 minutos de Newcastle, mas a sensação de distância do mundo contemporâneo é bem maior que isso. O restaurante serve dentro das salas históricas do castelo, com menu que privilegia os produtos regionais do norte da Inglaterra. Para quem viaja pela rota dos castelos ingleses, o Langley é uma parada obrigatória que dificilmente se consegue abreviar. Langley Castle — Inglaterra Divulgação Dragsholm Slot — Dinamarca Dragsholm Slot — Dinamarca Divulgação A uma hora de Copenhague, no meio da paisagem suave de Zealand, o Dragsholm existe desde aproximadamente 1215, quando o Bispo de Roskilde mandou erguer o primeiro edifício no islote cercado de lagos e prados. Nos séculos seguintes, o castelo foi fortaleza medieval, prisão de nobres e eclesiásticos, ruína de guerra e, finalmente, o sobrado barroco branco que existe hoje, reconstruído no final do século XVII pelo nobre Frederik Christian Adeler. Desde 1937, recebe hóspedes. Desde 2018, faz parte da Relais & Châteaux. O Dragsholm opera como o único hotel-castelo com estrela Michelin da Dinamarca: o restaurante gourmet do chef Claus Henriksen trabalha com ingredientes da fazenda biodynamica da própria propriedade e da costa próxima, em menus de degustação que mudam com as estações. A cozinha bistro serve uma versão mais acessível da mesma filosofia. Os quartos têm a sobriedade nórdica no lugar dos excessos barrocos que se esperariam, com paleta de naturais e madeira clara. E, segundo as lendas locais, aproximadamente 100 fantasmas habitam os corredores: a Dama Cinza, a Dama Branca e o Conde de Bothwell, que morreu encarcerado nas celas do castelo, estão entre os mais frequentemente avistados. Dragsholm Slot — Dinamarca Divulgação Hotel Burg Trendelburg — Alemanha Hotel Burg Trendelburg — Alemanha Divulgação Na Rota dos Contos de Fadas da Alemanha, a 50 quilômetros de Kassel, o castelo de Trendelburg foi construído no século XIV para proteger a estrada entre duas cidades e acabou entrando para a história de outro jeito: sua torre de 40 metros é apontada como a inspiração para o conto de Rapunzel, dos Irmãos Grimm. O hotel tem 22 quartos com mobília antiga e atmosfera de outro século, e um deles fica dentro da própria torre, com escada em espiral e vista sobre o Vale do Diemel. No topo da torre, há um museu dedicado ao universo dos contos de fadas e uma sauna orgânica instalada entre as pedras medievais. O festival medieval que acontece todo mês de maio transforma o pátio do castelo em uma cena que não precisa de reconstituição: as pedras já fazem o trabalho. O restaurante serve dentro das salas históricas, com menu de cozinha alemã clássica e um jantar temático de contos de fadas que os hóspedes mais jovens levam muito a sério. Hotel Burg Trendelburg — Alemanha Divulgação Parador de Alarcón — Espanha Parador de Alarcón — Espanha Divulgação Em Castilla-La Mancha, o castelo de Alarcón ergue suas cinco torres sobre um meandro quase perfeito do Rio Júcar, cercado de água em três lados como uma ilha artificial construída pela natureza. A fortaleza árabe data do século VIII e passou por visigodos, mouros e cavaleiros cristãos antes de se tornar uma das propriedades mais dramáticas da rede Parador, os hotéis do Estado espanhol instalados em edifícios históricos. São apenas 14 quartos dentro das muralhas originais, com paredes de pedra exposta, móveis de época e janelas que enquadram o vale como se o tempo ali tivesse parado em algum ponto entre o medievo e a manhã de hoje. O salão de jantar funciona como funcionaria no castelo histórico: pratos da culinária tradicional de Cuenca servidos em mesas compridas sob tetos abobadados, com vinho da Mancha. A chegada ao vilarejo de Alarcón, por uma única estrada que sobe até a fortaleza, já prepara para o que vem a seguir. Parador de Alarcón — Espanha Divulgação Castello di Vicarello — Itália Castello di Vicarello — Itália Divulgação Na Maremma toscana, longe das rotas mais percorridas da região, o Castello di Vicarello foi uma fortaleza de pedra do século XII antes de ser encontrado em estado de abandono pelo casal Aurora e Carlo Baccheschi Berti, que passou 12 anos restaurando cada pedra antes de abrir as portas para os primeiros hóspedes. O resultado são nove suítes únicas, com mobília antiga indonésia e italiana convivendo com as paredes de pedra medieval de um jeito que parece ter sido sempre assim. Dois terraços com piscinas de borda infinita olham para as colinas da Maremma sem um telhado contemporâneo no horizonte. A propriedade tem vinhedos orgânicos e olivais, e Aurora é conhecida regionalmente pelas aulas de culinária que oferece com ingredientes colhidos na hora. Os jantares servem os vinhos Super Toscanos da própria fazenda em mesas montadas no jardim ou nos salões do castelo, dependendo da estação. O lugar tem a qualidade rara dos hotéis que parecem não saber que são hotéis. Castello di Vicarello — Itália Divulgação Revistas Newsletter Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!
martes, 28 de abril de 2026, 06:01
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Dormir dentro de un castillo no es una experiencia común. Requiere reserva anticipada, acceso a menudo complicado e, incluso, disposición para vestir armadura al registrarse. Aquellos que aceptan estas condiciones son recompensados con estancias en lugares como el Dragsholm Slot danés, con estrella Michelin y cien fantasmas catalogados por la leyenda local, o el Solar do Castelo en Lisboa, donde los pavos reales del Castillo de São Jorge aparecen en el patio como si fueran residentes habituales. Japón ofrece la torre de Ozu, que cierra al público al final del día para recibir exclusivamente al próximo grupo que pernoctará allí. En España, en el interior de Castilla-La Mancha, una fortaleza árabe del siglo VIII sirve cenas en sus antiguas bóvedas.
El proceso de registro comienza incluso antes de llegar al castillo. En Japón, un coche particular espera a los huéspedes en el aeropuerto de Matsuyama y los conduce por la costa de la Prefectura de Ehime hasta la ciudad de Ozu, a una hora de distancia, a orillas del Río Hiji. La llegada es ceremonial: samuráis en armadura histórica disparan arcabuces, despliegan las banderas del Dominio de Ozu y entregan las llaves del castillo al grupo en un ritual que reproduce fielmente el protocolo de 1617. A partir de ese momento, el castillo pertenece por completo a los huéspedes hasta el amanecer. La torre de cuatro pisos fue reconstruida en 2004 con técnicas de carpintería tradicionales y madera de árboles de 250 años, sin utilizar ni una sola pieza de hormigón. Vigas talladas a mano, paredes de bambú y barro, pisos que crujen bajo los pies: la UNESCO ha reconocido los métodos de restauración como Patrimonio Cultural Inmaterial. La cena se sirve en una de las torres designadas como Bien Cultural Importante, con platos que la familia Kato (que gobernó el dominio durante 13 generaciones) reconocerían en la mesa. El desayuno se disfruta en Garyu Sanso, una villa histórica del período Meiji a orillas del río, exclusiva para los huéspedes del castillo en ese momento. Solo se acepta un grupo por día.
A orillas del Lough Corrib, en el Condado de Mayo, el Ashford Castle fue construido en el siglo XIII y pasó por manos nobles, magnates y el propio tiempo antes de convertirse en uno de los hoteles de cinco estrellas más celebrados de Europa. La llegada por la carretera arbolada que atraviesa las 350 acres de la propiedad ya es parte de la experiencia: bosques, lago, río y montañas al fondo componen un paisaje que parece pintado. Los interiores siguen el mismo patrón de grandiosidad contenida, con piedra original, maderas oscuras y chimenea encendida en las frías tardes del oeste irlandés. El castillo alberga la escuela de cetrería más antigua de Irlanda, y las sesiones con los halcones por la mañana se encuentran entre las experiencias más solicitadas por los huéspedes. La propiedad también ofrece pesca en el lago, equitación, tiro con arco y caminatas guiadas por los senderos históricos de la finca. En cuanto a la gastronomía, el restaurante principal sirve comidas de varios tiempos con ingredientes locales de Connacht. Además, cuenta con spa, piscina cubierta y un campo de golf de nueve hoyos.
En lo alto de la Alfama, dentro de los muros del Castillo de São Jorge, hay una puerta azul que conduce al único hotel ubicado dentro del complejo medieval de Lisboa. El Solar do Castelo ocupa un palacete del siglo XVIII erigido sobre lo que fueron las cocinas del Palacio Real, y guarda en sus propios cimientos una cisterna con artefactos que datan de la Edad de Hierro. Las 20 habitaciones tienen pisos de madera, muebles de inspiración medieval contemporánea y tejidos en tonos rojos y ocres, diseñados especialmente para el espacio por el taller de la diseñadora portuguesa Graça Viterbo. Algunas se encuentran bajo el techo mansardado, con el techo inclinado rozando la cama. El patio interior es el corazón del hotel: allí, los pavos reales del castillo aparecen entre los huéspedes con la naturalidad de quienes han vivido allí durante siglos. El fado resuena abajo, en las callejuelas de la Alfama. Los coches no entran en la Vila do Castelo, y esta imposibilidad es parte del encanto: la única forma de llegar es a pie por las calles empedradas o en taxi por las entradas autorizadas. El desayuno incluye pasteles de nata y hay oporto esperando en las habitaciones a la llegada.
En el corazón de la Borgoña vinícola, entre los viñedos de Beaujolais, el Château de Bagnols fue construido en 1217 por el señor feudal Guichard d'Oingt para perdurar a través de los siglos. Y lo hizo. Las murallas originales, el foso, las torres de guardia y las pinturas renacentistas que decoran los salones sobrevivieron a guerras, revoluciones y al olvido antes de que una restauración meticulosa devolviera al château el lugar que ocupa hoy entre los destinos más deseados de Francia. Reabierto en mayo de 2025 tras una nueva ronda de reformas, el hotel combina la robustez de la piedra medieval con interiores que no intentan disimular ninguno de los dos siglos en los que viven simultáneamente. Las habitaciones se encuentran dentro de las estructuras históricas del castillo, con techos abovedados, ventanas arqueadas y paredes gruesas que reducen el mundo exterior a un susurro, perfecto para los amantes del silencio. El restaurante utiliza productos de los productores locales de Beaujolais y organiza catas en las bodegas originales. La región es una de las más generosas de Francia en términos de paisaje y gastronomía, y el château funciona como base natural para explorar todo esto sin prisas.
Construido en 1350 en plena Northumberland, el Langley Castle sirvió a lordes, viscondes y condes durante siglos antes de convertirse en uno de los pocos castillos medievales fortificados de Inglaterra que opera como hotel. Las almenas, las torres y el Gran Salón permanecen exactamente donde siempre han estado. Por dentro, paredes de piedra que alcanzan un metro y ochenta de grosor crean una quietud casi física en las habitaciones, que tienen tapices, chimeneas funcionales y camas con dosel. Algunas habitaciones se encuentran en las propias torres, con ventanas que enmarcan las colinas de Northumberland como si fueran pinturas. En el restaurante, el menú prioriza los productos regionales del norte de Inglaterra. Para quienes viajan por la ruta de los castillos ingleses, el Langley es una parada obligatoria.
A una hora de Copenhague, en medio del suave paisaje de Zealand, el Dragsholm existe desde aproximadamente 1215, cuando el Obispo de Roskilde ordenó la construcción del primer edificio en el islote rodeado de lagos y prados. En los siglos siguientes, el castillo fue fortaleza medieval, prisión de nobles y eclesiásticos, ruina de guerra y, finalmente, la mansión barroca blanca que existe hoy, reconstruida a finales del siglo XVII por el noble Frederik Christian Adeler. Desde 1937, recibe huéspedes. Desde 2018, forma parte de Relais & Châteaux. El Dragsholm opera como el único hotel-castillo con estrella Michelin de Dinamarca: el restaurante gourmet del chef Claus Henriksen trabaja con ingredientes de la granja biodinámica de la propia propiedad y de la costa cercana, en menús de degustación que cambian con las estaciones. La cocina bistro sirve una versión más accesible de la misma filosofía. Las habitaciones tienen la sobriedad nórdica en lugar de los excesos barrocos que se esperarían, con una paleta de colores naturales y madera clara. Y, según las leyendas locales, aproximadamente 100 fantasmas habitan los corredores: la Dama Gris, la Dama Blanca y el Conde de Bothwell, que murió encarcelado en las celdas del castillo, se encuentran entre los más frecuentemente "avistados".
En la Ruta de los Cuentos de Hadas de Alemania, a 50 kilómetros de Kassel, el castillo de Trendelburg fue construido en el siglo XIV para proteger la carretera entre dos ciudades y acabó entrando en la historia de otra manera: su torre de 40 metros se señala como la inspiración para el cuento de Rapunzel, de los Hermanos Grimm. El hotel tiene 22 habitaciones con muebles antiguos y una atmósfera de otro siglo, y una de ellas se encuentra dentro de la propia torre, con escalera de caracol y vistas sobre el Valle del Diemel. En la cima de la torre, hay un museo dedicado al universo de los cuentos de hadas y una sauna orgánica instalada entre las piedras medievales. El festival medieval que se celebra cada mes de mayo (¡se acerca!) transforma el patio del castillo en una escena que no necesita recreación: las piedras ya hacen el trabajo. El restaurante cuenta con un menú de cocina alemana clásica y una cena temática de cuentos de hadas que, según las reseñas en internet, a los huéspedes más jóvenes les ha encantado.
En Castilla-La Mancha, el castillo de Alarcón eleva sus cinco torres sobre una curva casi perfecta del Río Júcar, rodeado de agua en tres lados como una isla artificial construida por la naturaleza. La fortaleza árabe data del siglo VIII y pasó por manos visigodas, moriscas y caballeros cristianos antes de convertirse en una de las propiedades más dramáticas de la red Parador, los hoteles del Estado español instalados en edificios históricos. Solo hay 14 habitaciones dentro de las murallas originales, con paredes de piedra expuesta, muebles de época y ventanas que enmarcan el valle como si el tiempo se hubiera detenido allí en algún punto entre la Edad Media y la mañana de hoy. El salón de comedor funciona como lo haría en un castillo histórico: platos de la cocina tradicional de Cuenca servidos en mesas largas bajo techos abovedados, con vino de la Mancha. La llegada al pueblo de Alarcón, por una única carretera que asciende hasta la fortaleza, ya te da un adelanto de lo que está por venir.
En la Maremma toscana, lejos de las rutas más transitadas de la región, el Castello di Vicarello fue una fortaleza de piedra del siglo XII antes de ser encontrado en estado de abandono por la pareja Aurora y Carlo Baccheschi Berti, que pasaron 12 años restaurando cada piedra antes de abrir las puertas a los primeros huéspedes. El resultado son nueve suites únicas, con muebles antiguos indonesios e italianos conviviendo con las paredes de piedra medieval de una manera que parece haber sido siempre así. Dos terrazas con piscinas de borde infinito miran hacia las colinas de la Maremma sin ningún techo contemporáneo en el horizonte. La propiedad tiene viñedos orgánicos y olivares, y Aurora es conocida regionalmente por las clases de cocina que ofrece con ingredientes recogidos en el momento. Las cenas sirven los vinos Super Toscanos de la propia granja en mesas montadas en el jardín o en los salones del castillo, dependiendo de la estación.