O Procurador-Geral de Justi a de S o Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, determinou a retomada do processo do Ministério Público contra um ex-bispo investigado em 2024 por suspeita de crimes sexuais contra um padre em Catanduva, no noroeste paulista. A decis o reverte o arquivamento anterior do inquérito, que havia sido justificado pela aus ncia de provas consideradas suficientes de viol ncia, amea a ou coa o.
Em uma portaria publicada nesta quinta-feira (23), a Procuradoria designou Antonio Bandeira Neto, 5 promotor de Catanduva, para assumir o caso. O promotor anterior, Paulo Cesar Neuber Deligi, havia arquivado o inquérito, apesar dos relatos da vítima e da admiss o do investigado sobre as rela es sexuais. A decis o do Procurador-Geral, assinada no dia 17, contraria diretamente o entendimento anterior e sinaliza uma nova avalia o das evid ncias.
O ex-bispo, Dom Valdir Mamede, renunciou ao cargo em Catanduva em novembro de 2023. O inquérito policial foi instaurado em fevereiro de 2024 para apurar denúncias de estupro, assédio e importuna o sexual. Inicialmente, o Ministério Público considerou que, embora o padre tenha relatado episódios de abuso, n o havia elementos que comprovassem viol ncia ou grave amea a, requisitos essenciais para caracterizar o crime de estupro.
O ex-bispo n o negou os encontros íntimos, mas alegou que todas as rela es foram consensuais. Testemunhas ouvidas durante a investiga o também n o confirmaram a exist ncia de coa o direta, e exames realizados n o indicaram sinais de viol ncia física, o que contribuiu para o arquivamento inicial do caso. Até a última atualiza o desta reportagem, a reportagem n o conseguiu contato com Valdir Mamede para obter um posicionamento.
A revis o do caso pelo Procurador-Geral de Justi a revelou uma discord ncia com a decis o de arquivamento. A Procuradoria entendeu que existiam indícios mínimos suficientes para justificar a continuidade da a o do Ministério Público. A decis o aponta para a possível prática de importuna o sexual, mesmo na aus ncia de viol ncia física, com base em relatos de atos libidinosos sem consentimento, incluindo abordagens inesperadas e comportamentos considerados constrangedores pela vítima.
A decis o ressalta a import ncia da palavra da vítima em crimes sexuais, especialmente quando os relatos s o coerentes ao longo do tempo e encontram respaldo em outros elementos, como mensagens, relatos a terceiros e registros médicos. O despacho do procurador-geral detalha que, de acordo com o padre, os episódios de abuso teriam ocorrido entre 2022 e 2023, período em que o investigado exercia uma posi o hierárquica superior dentro da Igreja Católica.
Os relatos da vítima incluem situa es em que o ex-bispo teria pedido favores íntimos, ficado nu diante do padre, realizado chamadas de vídeo com conteúdo sexual e, em uma ocasi o específica, teria agarrado e beijado a vítima for a. O padre também relatou ter desenvolvido quadros de depress o, ansiedade e síndrome do p nico em decorr ncia dos episódios, o que o levou a se afastar de suas fun es religiosas.
O caso ganhou repercuss o pública após a renúncia de Valdir Mamede ao cargo de bispo em novembro de 2023, sem que fossem apresentadas justificativas públicas. A denúncia também foi levada Nunciatura Apostólica, que iniciou uma apura o interna dentro da Igreja Católica. A decis o do Procurador-Geral menciona que documentos e relatos apresentados pela vítima, incluindo comunica es com autoridades eclesiásticas e testemunhos indiretos, refor am a necessidade de aprofundamento da investiga o.
Com a determina o do Procurador-Geral, Antonio Bandeira Neto foi designado como o novo promotor responsável por conduzir o caso e dar continuidade ao processo. Ele deverá avaliar a possibilidade de propor um acordo ao investigado ou, caso n o haja consenso, apresentar uma denúncia criminal formal Justi a.
Em caso de abertura de a o penal, o procedimento judicial deverá esclarecer se os atos relatados configuram crime e se houve, de fato, aus ncia de consentimento nas rela es descritas. O gabinete do promotor informou ao g1, nesta sexta-feira (24), que n o comentará o caso devido ao seu caráter sigiloso. A investiga o agora entra em uma nova fase, com a expectativa de que a verdade seja esclarecida e a justi a seja feita. A reabertura do caso demonstra a import ncia de uma análise cuidadosa e aprofundada de denúncias de crimes sexuais, especialmente quando envolvem figuras de autoridade e vulnerabilidade da vítima.











