A Páscoa, celebrada neste domingo, 5, transcende os símbolos comerciais e mantém um significado histórico e religioso que atravessa gera es, reunindo tradi es ligadas fé, renova o e memória coletiva. A data, uma das mais antigas do mundo, tem sua origem na palavra hebraica Pessach, que significa passagem , e remonta tradi o judaica que marca a liberta o do povo hebreu da escravid o no Egito, simbolizando a transi o da servid o para a liberdade.
No cristianismo, a Páscoa ganhou um novo significado, tornando-se uma das celebra es mais importantes da religi o. Comemora-se a ressurrei o de Jesus Cristo, ocorrida tr s dias após sua crucifica o, representando a passagem da morte para a vida, associada esperan a e renova o espiritual. A celebra o crist , inclusive, foi inspirada no Pessach judaico, já que os acontecimentos ligados crucifica o e ressurrei o de Jesus teriam ocorrido no mesmo período.
A data n o é fixa no calendário. Sua defini o ocorre a partir de critérios estabelecidos pela Igreja Católica durante o Concílio de Niceia, no século IV d.C. Assim, a Páscoa é celebrada sempre no primeiro domingo após a primeira lua cheia do início da primavera no Hemisfério Norte e do outono no Hemisfério Sul, podendo variar entre 22 de mar o e 25 de abril.
A chegada do Domingo de Páscoa é precedida por um período significativo para os crist os. Durante os 40 dias da Quaresma, muitos fiéis se dedicam penit ncia e ao desapego, em refer ncia ao tempo em que Jesus passou no deserto. Esse ciclo culmina na Semana Santa, que come a com o Domingo de Ramos, relembrando a entrada de Jesus em Jerusalém. Em seguida, a Sexta-Feira Santa marca o dia da crucifica o. Já o domingo celebra a ressurrei o e a primeira apari o de Cristo aos discípulos, encerrando o período com um clima de festa e renova o.
Dentro do cristianismo, diferentes denomina es vivenciam a data de maneiras distintas. Enquanto os católicos mant m práticas como a abstin ncia de carne durante a Quaresma e celebram todos os dias da Semana Santa, os protestantes costumam dar maior nfase Sexta-Feira Santa e ao Domingo de Páscoa, sem seguir as mesmas restri es alimentares.
Antes mesmo do cristianismo, a Páscoa já era celebrada pelos judeus como um marco histórico de liberta o, lembrando um período de aproximadamente 400 anos de escravid o no Egito. Segundo a Bíblia, Jesus participou de celebra es pascais ao longo da vida. Um dos episódios mais conhecidos é a Última Ceia , quando ele e seus discípulos realizaram a comunh o do corpo e do sangue , simbolizados pelo p o e pelo vinho.
Além do significado religioso, a Páscoa também se manifesta na cultura e na mesa dos brasileiros. Após o período de abstin ncia, o almo o do domingo costuma ter o bacalhau como protagonista, embora cada regi o imprima suas próprias tradi es. No Sul, influ ncias alem s e ucranianas aparecem em prepara es como a Paska e a Cuca. Já no Sudeste e no Nordeste, as reuni es familiares giram em torno da bacalhoada e da troca de ovos de chocolate. Em outras regi es, pratos como o pacu assado, a sopa paraguaia e a moqueca capixaba também marcam presen a. A Páscoa, portanto, é um momento de reflex o, fé e celebra o, que une tradi es milenares e a diversidade cultural do Brasil. A data convida renova o espiritual e partilha com a família e amigos, refor ando os la os de comunidade e a esperan a em um futuro melhor. A celebra o, em sua ess ncia, é um lembrete da import ncia da liberdade, da fé e da perseveran a diante dos desafios da vida.












