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EX-GOVERNADOR LIVRE: STF o libera da CPI

O ministro do Supremo Tribunal FederaL (STF) André Mendonça desobrigou o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) de comparecer à CPI do Crime Organizado. A convocação foi aprovada pela comissão e agendada para a próxima terça-feira, 7. Na decisão, Mendonça citou jurisprudência do Supremo no sentido de que o investigado tem a opção de [...]

EX-GOVERNADOR LIVRE: STF o libera da CPI

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), não é obrigado a comparecer à Comissão Parlamentar Mista (CPMI) do Crime Organizado. A convocação de Ibaneis já havia sido aprovada pela comissão e estava agendada para a próxima terça-feira, dia 7.

A decisão de Mendonça se baseia em jurisprudência do STF que garante ao investigado o direito de não produzir prova contra si mesmo, conforme o artigo 5º, inciso LXIII, da Constituição da República. O ministro reconheceu a importância da CPMI na apuração dos fatos que levaram à sua instauração, mas enfatizou que a garantia constitucional contra a autoincriminação é “inafastável”.

“Não obstante a importância superlativa da ‘CPMI do Crime Organizado’ e de sua atuação independente na apuração dos fatos certos e determinados que ensejaram a sua instauração (…), revela-se inafastável a garantia constitucional de qualquer investigado contra a autoincriminação, direito fundamental expressamente consagrado no art. 5º, LXIII, da Constituição da República”, escreveu o ministro em sua decisão.

Com a decisão do STF, Ibaneis Rocha tem a liberdade de escolher se comparece ou não à CPMI. Caso opte por comparecer, ele possui o direito de permanecer em silêncio durante os questionamentos dos parlamentares e de ser acompanhado por um advogado. Além disso, ele tem a opção de não prestar juramento de dizer a verdade.

A CPMI busca esclarecimentos com o ex-governador sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e a suposta venda de honorários a fundos administrados pela Reag. Ibaneis Rocha nega qualquer envolvimento nas negociações que estão sendo investigadas pela comissão.

A decisão do ministro Mendonça gerou debates e reações diversas no cenário político. Parlamentares da oposição criticaram a medida, argumentando que ela pode dificultar o trabalho da CPMI e a apuração das denúncias de irregularidades. Já aliados do ex-governador defenderam a decisão, afirmando que ela garante o direito de Ibaneis à ampla defesa e ao devido processo legal.

A CPMI do Crime Organizado foi instalada para investigar o financiamento e a organização dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, que resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em Brasília. A comissão tem poderes de investigação semelhantes aos de uma autoridade judicial e pode convocar testemunhas, requisitar documentos e realizar perícias.

A decisão do STF em relação a Ibaneis Rocha levanta questionamentos sobre a possibilidade de outros investigados convocados pela CPMI também recorrerem à Justiça para evitar o depoimento. A comissão tem convocado diversas autoridades e empresários para prestar esclarecimentos sobre as investigações, e a expectativa é que a decisão do STF possa influenciar as estratégias de defesa de outros convocados.

A CPMI tem como objetivo esclarecer as responsabilidades pelos atos de violência e vandalismo ocorridos em Brasília, identificar os financiadores e organizadores dos ataques e propor medidas para evitar que episódios semelhantes se repitam. A comissão tem um prazo de 120 dias para concluir os trabalhos e apresentar um relatório final com suas conclusões e recomendações.

A investigação da CPMI se concentra em diversos aspectos, incluindo o fluxo de recursos financeiros utilizados para financiar os atos antidemocráticos, a participação de empresas e organizações em esquemas de financiamento e a atuação de agentes públicos e políticos na organização e apoio aos ataques. A comissão tem analisado documentos, dados bancários, mensagens de celular e depoimentos de testemunhas para reconstruir os fatos e identificar os responsáveis.

A decisão do ministro Mendonça representa um importante precedente para a atuação da CPMI e para a garantia dos direitos dos investigados. A comissão terá que avaliar como lidar com a decisão do STF e como garantir que a apuração das denúncias seja realizada de forma justa e transparente, respeitando os direitos de todos os envolvidos.

A CPMI do Crime Organizado tem sido acompanhada de perto pela sociedade brasileira, que espera que a comissão possa esclarecer os fatos e responsabilizar os culpados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. A decisão do STF em relação a Ibaneis Rocha demonstra a complexidade das investigações e a importância de garantir o respeito aos direitos constitucionais de todos os envolvidos.

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