Depois de quase dois anos no cargo, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski deixou ontem o Ministério da Justi a e Seguran a Pública. Ele comunicou a decis o em reuni o com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, a quem entregou a carta de demiss o, antes da cerim nia que marcou os tr s anos da tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro de 2023.
Lewandowski assumiu o ministério com a saída de Flávio Dino, indicado por Lula ao STF na vaga aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber. Ele chegou em um momento de intenso tiroteio com os bolsonaristas, que, com sucesso, abra aram o discurso da preocupa o com a seguran a pública por conta do desgaste causado pela tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.
O ministro aposentado do Supremo chegou a pensar em ficar no cargo até a aprova o da Proposta de Emenda Constitui o (PEC) da Seguran a Pública, que aumenta as compet ncias da Uni o no combate ao crime organizado, e é considerada a principal marca de sua gest o. O texto, porém, n o foi votado no ano passado, como pretendia o Palácio do Planalto e o próprio Lewandowski.
No balan o que fez da gest o frente do ministério, Lewandowski destacou as demarca es de terras indígenas, com cinco homologa es em 2024 e sete em 2025. Ele também citou a implanta o de c meras corporais em 11 estados, em parceria com o governo federal, e a retirada de circula o de aproximadamente 5.600 armas e 298.844 muni es. Apontou, ainda, a implanta o do Programa Celular Seguro e avan os no combate viol ncia contra a mulher como a Opera o Shamar, que atendeu mais de 81 mil vítimas e prendeu 11,5 mil suspeitos de agress o.
"Tenho a convic o de que exerci as atribui es do cargo com zelo e dignidade, exigindo de mim e de meus colaboradores o melhor desempenho possível em prol de nossos administrados, consideradas as limita es políticas, conjunturais e or amentárias das circunst ncias pelas quais passamos", frisou Lewandowski, na carta de despedida.
Com a saída de Lewandowski, há a possibilidade de a pasta ser desmembrada em duas no Ministério da Justi a e no Ministério da Seguran a Pública. Nos bastidores do governo, comentava-se que a divis o n o tinha sido levada adiante até agora para n o diminuir o ministro publicamente. Porém, entre os nomes que come am a ser cogitados para suceder Lewandowski, alguns s o contrários ao desmembramento e outros acreditam que assumir um posto com menos atribui es seria uma clara perda de poder.
Entre os nomes cotados est o o do senador Ricardo Pacheco (PSD-MG), o do ministro da Educa o, Camilo Santana, o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e o do controlador-geral da Uni o, Vinicius Carvalho. Também vem circulando o nome do advogado Marco Aurélio Carvalho, que integra o grupo Prerrogativas, e a possibilidade de Tarso Genro voltar pasta que ocupou no segundo mandato de Lula.
O secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto assume a pasta interinamente até que Lula defina o novo titular. Mas outros nomes levados por Lewandowski para o ministério, como o de Mário Sarrubbo que ocupa a Secretaria Nacional de Seguranla Pública , devem acompanhá-lo e sair do cargo que hoje ocupam.
Lewandowski é o primeiro a deixar o governo federal em 2026. Cerca de 20 atuais ministros devem deixar as pastas até abril, pois a maioria pretende concorrer nas elei es de outubro. Outro aliado importante de Lula que deve sair em breve é Fernando Haddad. O hoje ministro da Fazenda pode ser lan ado pelo PT na disputa ao Senado ou ao governo de S o Paulo.











