generalGeorge Martin, o "Quinto Beatle" que impulsionou o som da lendária banda
Foto/Reprodução. No primeiro dia do ano de 1962, em Londres, os Beatles fizeram um teste na Decca. Foram reprovados. O cara da gravadora disse a Brian Epstein, o empresário deles, que não acreditava no futuro dos conjuntos de guitarras.Seis meses mais tarde, outra vez em Londres, os Beatles fizeram um teste na EMI. Foram ouvidos por George Martin, responsável pelo selo Parlophone.George Martin não se entusiasmou muito com o que ouviu, mas enxergou algo neles. E foi esse "algo" que levou Martin a contratar os rapazes.Em 1962, quando contratou os Beatles, George Martin tinha 36 anos. Além de produtor musical, era músico. Compunha, arranjava, regia, tocava piano. Foto/Reprodução. George Martin e os Beatles seguiram juntos por toda a década de 1960. Os Beatles não seriam o que foram sem Martin. Martin não seria o que foi sem os Beatles.Os Beatles eram quatro. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Ou, se quisermos, cinco. George Martin era o quinto beatle.Neste sábado, três de janeiro de 2026, foi o centenário de nascimento de George Martin. Ele morreu em março de 2016, dois meses depois de fazer 90 anos.George Martin acompanhou de perto a evolução musical dos Beatles e, sobretudo, como autores, de John Lennon e Paul McCartney, que dividiam o comando do grupo. George Martin foi o tradutor das ideias musicais dos Beatles. "Eu quero algo que pareça com Bach", pedia John Lennon antes de gravar In My Life. E lá vinha Martin com aquele solo barroco de piano, que ele mesmo compôs e executou. As cordas, os metais e as madeiras, as formações camerísticas, uma grande orquestra, um quarteto disso, um quinteto daquilo, longos caminhos que podiam começar no barroco e terminar no contemporâneo - tudo isso, Martin colocou nas mãos dos Beatles.O som dos Beatles é o casamento perfeito do som dos Beatles, um conjunto de rock, com o som de George Martin, um músico de formação e um grande produtor de discos.Paul McCartney, com seu ego tão gigantesco quanto o talento musical que tem, gosta de diminuir o tamanho da presença George Martin na história dos Beatles. "Por que ele não fez o mesmo com outros artistas que produziu?" - questiona Paul. Bobagem. Não fez porque os outros não eram tão bons quanto os Beatles. Mas isso não quer dizer que os Beatles prescindiriam do auxílio luxuoso de George Martin.Nós que amamos os Beatles também amamos George Martin. E admiramos sua elegância e seu modo sempre discreto de atuar ao lado dos quatro rapazes. O lado autoral de George Martin foi ofuscado pelo tempo que os Beatles lhe tomaram. Há música de cinema e peças de gosto erudito. Peperland, que ele escreveu para o desenho animado Submarino Amarelo, mostra o quanto compunha bem. Na segunda metade da década de 1990, quando já enfrentava severa perda auditiva, George Martin fez um disco-testamento. In My Life reúne canções dos Beatles recriadas por Martin e entregues a amigos e amigas dele, gente da música e do cinema. É bonito e comovente como retrato dos Beatles tirado por Martin na velhice. Contém saudáveis ousadias (Jim Carrey fazendo I Am The Walrus) e curiosas transgressões (Goldie Hawn cantando A Hard Day's Night como um standard jazzístico).Em 2006, no álbum Love, George Martin fez o que só ele tinha autoridade e direito de fazer. Ao lado de Giles, o filho que também é produtor musical, pegou as canções dos Beatles e experimentou fusões, colagens, reedições, recriações, invenções improváveis - coisas que nem ele nem os Beatles imaginaram na década de 1960.Trilha de um espetáculo do Cirque du Solei, Love não é só sobre a genialidade dos Beatles. É muito - e também - sobre a genialidade de George Martin. Há muitos retratos possíveis do maestro. No seu centenário, sugiro a audição de Love como forma de reverenciá-lo por toda a beleza musical que legou ao mundo.
lunes, 5 de enero de 2026, 06:36
BR
jornaldaparaiba_br
George Martin, o lendário produtor musical que ficou conhecido como o "Quinto Beatle", teria completado 100 anos de idade neste sábado, 3 de janeiro de 2026. Sua parceria com a banda de Liverpool foi fundamental para a evolução do som dos Beatles e a consagração da lendária formação composta por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.
Apesar de não ter sido um membro oficial da banda, George Martin desempenhou um papel crucial no desenvolvimento criativo e na construção do icônico som dos Beatles. Quando a banda fez seu primeiro teste na gravadora Decca, em 1962, o executivo da empresa não acreditava no futuro dos conjuntos de guitarras. Seis meses depois, os Beatles fizeram um novo teste na EMI, onde foram ouvidos por George Martin, então responsável pelo selo Parlophone.
Embora não tenha ficado muito entusiasmado com o que ouviu, Martin enxergou algo especial nos quatro rapazes de Liverpool e decidiu contratá-los. Essa decisão se provou uma das mais acertadas da história da música, pois Martin se tornou o principal tradutor das ideias musicais dos Beatles, adicionando arranjos orquestrais, cordas, metais e madeiras que complementaram perfeitamente o som da banda.
"Eu quero algo que pareça com Bach", pedia John Lennon antes de gravar "In My Life", e Martin respondia com um solo barroco de piano que ele mesmo compôs e executou. Esse tipo de colaboração criativa entre o produtor e a banda foi fundamental para a evolução do som dos Beatles, que passou de um conjunto de rock'n'roll para uma das mais sofisticadas e inovadoras propostas musicais da década de 1960.
Paul McCartney, por vezes, tenta diminuir a importância de Martin na história da banda, argumentando que ele não fez o mesmo com outros artistas que produziu. Mas a verdade é que nenhum outro ato musical da época tinha o mesmo nível de talento e criatividade dos Beatles, e Martin soube extrair o melhor deles, transformando suas ideias em realidade.
Além de sua atuação como produtor, Martin também deixou sua marca como compositor, com trabalhos como "Pepperland", escrita para o desenho animado "Submarino Amarelo". Nos últimos anos de sua vida, quando já enfrentava problemas auditivos, Martin fez um disco-testamento chamado "In My Life", reunindo canções dos Beatles regravadas por ele e por amigos músicos e atores.
Mesmo após a separação da banda, Martin continuou a colaborar com os ex-Beatles, participando de projetos como o álbum "Love", de 2006, no qual ele e seu filho Giles fizeram remixes e releituras das canções do quarteto de Liverpool.
No centenário de seu nascimento, George Martin é lembrado como uma figura essencial na história dos Beatles, alguém que soube entender e traduzir as ideias musicais da banda, elevando-as a um patamar de sofisticação e inovação que poucos conseguiram alcançar. Sua elegância, discrição e talento musical deixaram uma marca indelével na música do século XX.