O episódio envolvendo John Hampden na Inglaterra dos anos 1630 se tornou um marco duradouro na luta contra os abusos governamentais. Nascido em 1595 em Oxfordshire, Hampden pertencia a uma família rica e tradicional da gentry, a classe de proprietários rurais em ascens o. Ele se notabilizou por enfrentar a arbitrariedade do rei Carlos I, que desde 1629 governava de forma despótica, fechando o Parlamento e impondo novos impostos sem o consentimento dos representantes do povo.
Em 1634, Carlos I decretou o imposto conhecido como Ship Money, tradicionalmente pago apenas pelas cidades portuárias por tempo determinado e com anu ncia do Parlamento. Dois anos depois, o rei estendeu o tributo a todo o interior do país e o tornou permanente. Apesar do valor simbólico de 20 xelins, o problema n o era o montante, mas a imposi o unilateral, sem a aprova o dos parlamentares.
Hampden recorreu Justi a, argumentando a ilegitimidade do imposto. Em 1638, a Corte de Exchequer, leal ao rei, deu o veredito a favor da cobran a por 7 votos a 5. Mas Hampden se negou a pagar, iniciando uma rebeli o que se espalhou por todo o país. Clubes "Hampden" foram criados em resist ncia cívica.
Esse conflito entre o Parlamento e a Coroa deu início Guerra Civil Inglesa, entre 1642 e 1649, que culminou com a decapita o de Carlos I e o fim da monarquia, seguido pelo protetorado de Oliver Cromwell. Apenas em 1688, com a Revolu o Gloriosa, a supremacia parlamentar na política inglesa foi consolidada.
O caso de Hampden se tornou um símbolo da luta por constitucionalismo e contra o absolutismo monárquico. Suas ideias ecoaram posteriormente na guerra de independ ncia das 13 Col nias e no movimento Cartista na Inglaterra do século 19, além de inspirar movimentos de contesta o arbitrariedade de metrópoles sobre suas col nias, como a Conjura o Mineira no Brasil.
Mesmo séculos depois, o nome de John Hampden continua a inspirar a resist ncia pela preserva o da soberania popular, a única fonte legítima de poder nos tempos modernos.












