Em meio ao agravamento das tensões entre a Venezuela e os Estados Unidos, a presidente interina Delcy Rodríguez adotou um tom mais moderado ao defender o diálogo e a cooperação entre os dois países. Em carta divulgada neste domingo, 4, Rodríguez afirmou que o governo venezuelano "reafirma sua vocação de paz" e busca um relacionamento internacional "equilibrado e respeitoso", baseado na igualdade soberana e na não ingerência.
No texto, a dirigente estendeu um convite formal ao governo norte-americano para a construção de uma agenda conjunta voltada ao desenvolvimento compartilhado, "no marco da legalidade internacional", com o objetivo de fortalecer uma convivência duradoura entre os povos.
Em recado direto ao presidente dos EUA, Donald Trump, Rodríguez afirmou que a região "merece paz e diálogo, não guerra". Segundo ela, essa sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro e continua sendo a do governo venezuelano.
A manifestação ocorre um dia após uma ação dos Estados Unidos contra a Venezuela que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Até então, Rodríguez vinha adotando um discurso mais duro contra Washington, com críticas às intervenções norte-americanas e defesa da soberania e dos recursos naturais do país.
Na carta, a presidente interina também reiterou o direito da Venezuela à paz, ao desenvolvimento e a um futuro estável, afirmando acreditar em um projeto nacional capaz de reunir os venezuelanos em torno de objetivos comuns.
"A Venezuela reafirma sua vocação de paz e de convivência pacífica. Nosso país aspira viver sem ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. Acreditamos que a paz global se constrói garantindo primeiro a paz de cada nação", escreveu Rodríguez.
Ela também considerou prioritário avançar para um relacionamento internacional "equilibrado e respeitoso" entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, com base na igualdade soberana e na não ingerência.
O convite de Rodríguez ao governo Trump para trabalhar conjuntamente em uma agenda de cooperação voltada ao desenvolvimento compartilhado surge em um momento de grande tensão entre os dois países. Recentemente, o senador republicano Marco Rubio minimizou a reação da presidente interina, afirmando que "retórica é uma coisa, queremos ação".
Já o próprio Trump ameaçou fazer operações na Colômbia e chamou o presidente colombiano, Gustavo Petro, de "doente", dizendo que ele "gosta de produzir cocaína".
Delcy Rodríguez, de 51 anos, é uma das principais lideranças do chavismo na Venezuela. Ela já ocupou diversos cargos de destaque, como ministra das Relações Exteriores e vice-presidente. Após a prisão de Maduro, ela assumiu interinamente a Presidência do país.


