A montadora chinesa BYD chegou a um acerto milionário de R$ 40 milh es para encerrar um esc ndalo de trabalho análogo escravid o envolvendo sua futura fábrica em Cama ari, na Bahia. O acordo, firmado em dezembro de 2025, envolve a própria BYD Auto do Brasil e duas empreiteiras responsáveis pelas obras, a China Jinjiang Construction Brazil e a Tecmonta Equipamentos Inteligentes.
O valor ficou muito abaixo do que o Ministério Público do Trabalho (MPT) havia pedido inicialmente, de R$ 250 milh es, mas ainda assim representa uma das maiores indeniza es do tipo no país. Metade do montante, cerca de R$ 20 milh es, será destinada diretamente s vítimas, como compensa o por dano moral individual. Na prática, cada trabalhador deve receber algo próximo de R$ 89 mil. Os outros R$ 20 milh es ser o destinados a dano moral coletivo, a serem distribuídos posteriormente para institui es e fundos indicados pelo MPT.
Embora as empreiteiras sejam, formalmente, responsáveis pelos pagamentos, a BYD entra no acordo como avalista: se houver descumprimento, caberá montadora garantir que o dinheiro chegue aos trabalhadores. O entendimento ainda precisa ser homologado pela Justi a do Trabalho.
O esc ndalo veio tona pouco mais de um ano atrás e colocou a BYD no centro de uma das maiores crises trabalhistas recentes envolvendo o setor automotivo no Brasil. Na época, a denúncia revelou que trabalhadores chineses haviam sido submetidos a condi es análogas escravid o durante as obras da futura fábrica da montadora em Cama ari.
Segundo a investiga o, os trabalhadores eram mantidos em alojamentos precários, com jornadas exaustivas de trabalho e sem acesso a água potável e alimenta o adequada. Além disso, eles tinham seus documentos retidos pelas empreiteiras, o que dificultava sua saída do local.
Agora, com o acordo milionário, a BYD espera encerrar o caso na Justi a do Trabalho e, ao mesmo tempo, conter o desgaste em sua imagem após o esc ndalo. Apesar do valor abaixo do inicialmente pedido, o acerto representa uma das maiores indeniza es do tipo no país e um duro golpe para a montadora chinesa, que tenta se estabelecer no mercado brasileiro.











