O regime iraniano, um dos principais aliados internacionais do governo de Nicolás Maduro na Venezuela, ofereceu sua cooperação para enfrentar o que classificou como "pirataria e terrorismo internacional" dos Estados Unidos no Caribe.
O anúncio foi feito após uma conversa telefônica entre o chanceler venezuelano, Yván Gil, e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. Segundo Gil, o Irã demonstrou "plena solidariedade" à Venezuela e se colocou à disposição para cooperar em todos os âmbitos.
A oferta de apoio iraniana ocorre em meio a uma escalada de tensões na região do Caribe, com a mobilização de uma frota militar americana sob o argumento de combater o narcotráfico. Nos últimos dias, os EUA interceptaram dois navios petroleiros que transportavam petróleo venezuelano, como parte do "bloqueio total" anunciado pelo presidente Donald Trump contra as exportações de Caracas.
O Irã é um dos principais aliados internacionais do regime de Maduro e mantém cooperação com a Venezuela desde o governo de Hugo Chávez. A ditadura venezuelana classificou as ações dos EUA como "pirataria" e "terrorismo internacional", afirmando que o país enfrenta um "bloqueio total" imposto por Washington.
Em resposta, o governo iraniano se colocou à disposição para apoiar a Venezuela no enfrentamento dessas medidas, em mais um sinal da estreita relação entre os dois regimes autoritários. A oferta de cooperação acontece em um momento de aumento da presença militar americana na região do Caribe.
Segundo o New York Times, o último navio interceptado pelos EUA tinha bandeira panamenha e transportava petróleo venezuelano, mas não constava na lista pública de petroleiros sancionados pelo Departamento do Tesouro americano. Autoridades do setor petrolífero da Venezuela afirmaram que a carga pertencia a uma empresa comercial estabelecida na China.
A escalada de tensões no Caribe e a oferta de apoio iraniano à Venezuela evidenciam o acirramento das disputas geopolíticas envolvendo Caracas, com os EUA buscando intensificar o cerco econômico ao regime de Maduro.


