O Partido Democrata anunciou nesta quinta-feira que não divulgará uma análise interna de sua derrota para o presidente republicano Donald Trump nas eleições de 2024. A decisão, segundo o partido, visa evitar que os fracassos passados desviem o foco da vitória em futuras eleições.
O chamado "relatório de autópsia", que envolveu centenas de entrevistas com autoridades do partido em todo o país, foi uma tentativa de chegar a um consenso sobre os motivos da derrota. No entanto, após vitórias democráticas em disputas recentes para governador, o partido decidiu deixar o relatório de lado enquanto se prepara para as eleições de meio de mandato do próximo ano.
"Em nossas conversas com as partes interessadas de todo o ecossistema democrata, estamos alinhados com o que é importante, que é aprender com o passado e vencer no futuro", disse Ken Martin, presidente do Comitê Nacional Democrata (DNC).
A derrota de 2024 expôs uma divisão no partido entre suas alas liberal e mais ao centro, com cada facção afirmando que detinha o projeto para o caminho a seguir. No entanto, não se esperava que o relatório tocasse nessa divisão ideológica, nem que colocasse a culpa na então candidata Kamala Harris ou no presidente Joe Biden.
Segundo um integrante do DNC, as conclusões do relatório se concentraram no processo, como contatos com eleitores, captação de recursos e mensagens na mídia. O documento também teria apontado o sucesso de Trump em alcançar eleitores mais jovens e sua capacidade de explorar mídias não tradicionais.
Para a estrategista democrata Karen Finney, a decisão de não divulgar o relatório, embora não surpreendente, é decepcionante, pois havia lições valiosas a serem tiradas da vitória de Trump, as quais poderiam ajudar o partido a se preparar para a eleição presidencial de 2028.

