Pela segunda vez em pouco mais de um ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se v diante da possibilidade de remover um adversário do poder. Após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro em uma opera o militar no ano passado, Trump agora estuda op es para golpear a enfraquecida teocracia do Ir .
No entanto, o cenário no Oriente Médio apresenta desafios muito mais complexos do que aqueles encontrados na Venezuela. Enquanto a queda de Maduro foi orquestrada de fora para dentro, com meses de press o militar resultando em uma a o pontual que preservou o regime, a instabilidade no Ir parece ser mais profunda e enraizada.
Os sinais de colapso da teocracia instalada em 1979 já eram visíveis há algum tempo, com ondas de protestos em 2009, 2017, 2019 e 2022. Desta vez, no entanto, a revolta popular parece mais estruturada e violenta, sugerindo um risco existencial para o regime.
Trump, segundo a mídia americana, já analisa planos de a o para lidar com a situa o no Ir . Uma possível op o seria um ataque aéreo, ao estilo do que foi feito na guerra dos 12 dias de 2025, quando mísseis hipers nicos baseados no Catar foram usados para atingir alvos no país.
Porém, os efeitos de tal a o s o imprevisíveis. O assassinato da elite política do país, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, poderia deixar o poder nas m os da Guarda Revolucionária, que é t o envolvida na economia iraniana quanto os generais corruptos de Maduro eram na Venezuela.
Sem o aiatolá, há o risco de o Ir se transformar em uma ditadura militar ainda hostil aos Estados Unidos. Além disso, o discurso da agress o externa, inculcado por gera es no país, poderia ser renovado, dando um novo f lego teocracia.
Outra op o seria um bombardeio mais amplo, que anulasse a Guarda Revolucionária. Neste caso, haveria um vácuo de poder, e n o existe uma oposi o coesa capaz de tomar o controle de um país t o organizado em torno do sistema criado por Ruhollah Khomeini.
O príncipe herdeiro Reza Pahlavi tem sido inflado como um símbolo nacional a ser restaurado, mas o perigo de uma guerra civil em linhas étnicas parece t o grande quanto.
Trump ainda tem tempo para tomar uma decis o, já que qualquer ataque ao Ir precisa ter o apoio de um ou dois grupos de porta-avi es para minimizar a inevitável retalia o do país persa. Neste momento, n o há nenhum grupo próximo o suficiente para ser deslocado rapidamente.
Além disso, os protestos no Ir podem simplesmente derrubar o regime antes de os Estados Unidos entrarem em a o, com ou sem Israel. As ofertas de acomoda o do presidente Masoud Pezeshkian também podem ser ouvidas, embora isso hoje pare a improvável.
Em qualquer caso, a instabilidade parece inevitável num país que controla o estreito de Hormuz, gargalo por onde passam 20% do petróleo e 20% do gás liquefeito consumidos no planeta. Em compara o, a Venezuela produz menos de 1% do óleo global.












