O recente episódio de tentativa de extra o de Nicolás Maduro do poder na Venezuela desencadeou uma profus o de análises sobre os movimentos da política externa norte-americana. Segundo o embaixador e presidente da 9G Consultoria, Roberto Azev do, no vácuo de uma doutrina formal, analistas cunharam o termo "Doutrina Donroe" - um amálgama entre Donald Trump e James Monroe -, que seria o prenúncio de um mundo onde a for a bruta e o interesse nacional estreito sobrep em-se ao Direito e s normas internacionais.
Azev do alerta que o perigo n o reside apenas na a o americana, mas na provável emula o desse modelo por outras pot ncias, consolidando um efeito contágio que enterra a ordem internacional baseada em regras por longo e indefinido período. Ele afirma que, embora a Casa Branca sustente documentos como a National Security Strategy (NSS), a prática revela profunda lacuna entre a teoria e a práxis operacional.
Segundo o analista, a "Doutrina Donroe" é movida por tr s vetores centrais em ordem hierárquica: os desígnios político-eleitorais domésticos, o interesse econ mico e a competi o geoestratégica - com a China como alvo central. Quanto aos métodos, o padr o é o unilateralismo desimpedido e um pragmatismo agnóstico quanto natureza dos regimes políticos estrangeiros.
O embaixador argumenta que, diante das evidentes limita es do Brasil no plano bélico, resta ao país o manejo sóbrio e calculado de seus ativos estratégicos. Sob o paradigma da "Donroe", o respeito é conquistado por meio da indispensabilidade estratégica, e setores como alimentos, terras raras, metalurgia, energia renovável e recursos hídricos devem ser "militarizados" e ascender condi o de arsenal estratégico.
Azev do ressalta que esse caminho n o é trivial e exige políticas públicas consistentes e duradouras, capazes de atravessar ciclos eleitorais e resistir s altern ncias de orienta o ideológica no Palácio do Planalto. Ele afirma que, na "lei da selva" da política externa, a diplomacia é o palco, mas o roteiro é o cálculo frio de custo e benefício, e construir a indispensabilidade estratégica para preservar a autonomia política é o divisor de águas entre a vassalagem e a soberania.












