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La serie Tremembé y la revolución del true crime brasileño en el streaming

Tremembé não pergunta quem matou. Essa resposta o Brasil já conhece e já consumiu até a exaustão. A série escolhe um terreno mais instável: o que acontece depois que o país muda de assunto? É nesse ponto cego da narrativa criminal que Julia Priolli, Head de Ficção da Amazon MGM Studios Brasil, ajudou a construir o maior sucesso brasileiro da história do Prime Video, uma obra que troca o choque pelo atrito e transforma o pós-crime em matéria de reflexão.O impacto foi imediato. Além de se tornar a maior estreia de um Original brasileiro na plataforma, Tremembé quebrou recordes de audiência desde a chegada da plataforma ao país e extrapolou o streaming, ocupando redes sociais, rodas de conversa e manchetes. Para Julia, porém, o fenômeno não nasce do barulho, mas da escolha narrativa. Em entrevista à Vogue Brasil, ela define o conceito que sustenta a série como “Melocrime”, a fusão entre melodrama e crime real. “São casos previamente conhecidos, mas nunca sob essa ótica da vida pós-crime”, explica. O interesse do público, segundo ela, é quase orgânico. “Tremembé pautou desde a imprensa até as conversas de bar. As pessoas comentavam pela fofoca; como alguns personagens já cumprem pena em regime aberto, foi quase uma obra aberta”.Essa ideia de obra em permanente fricção ajuda a entender por que a série se mantém viva mesmo após o lançamento. Tremembé não se organiza em torno do suspense clássico nem da revelação final. Seu motor é o incômodo de conviver com histórias que insistem em não se encerrar. Ao deslocar o foco do crime para o depois, a série obriga o espectador a abandonar a posição confortável de juiz e assumir a de cidadão.Selecionar uma imagemNada disso, no entanto, se sustenta sem rigor. Julia trata a ficção como um exercício de responsabilidade factual. “O rigor factual nos norteia. As histórias são reais, todas constam em autos de processos transitados em julgado, ou foram amplamente divulgadas pela imprensa”, afirma. Formada em Jornalismo e com especialização na Universidade de Columbia, ela opera sob uma lógica clara: “O absurdo é prerrogativa da realidade, enquanto a ficção exige mais coerência”. Em vez de explorar o sensacionalismo, a série transforma o sistema prisional em tema de debate público, abordando conceitos como progressão de pena, indulto e regime semiaberto. “O brasileiro, mesmo que de maneira inesperada, passou a ter conhecimento de causa sobre tais direitos e suas limitações”.Ao analisar o fenômeno do true crime no Brasil, presente também em títulos como Dom e Cangaço Novo, Julia identifica um dado que atravessa todas essas produções: o protagonismo do público feminino. “É curioso observar que são as mulheres a presença garantida nos presídios masculinos em dia de visita. Nos presídios femininos, são raras as visitas”, observa. Para ela, o interesse feminino pelo gênero nasce de uma combinação entre atenção aos detalhes e empatia. “Atribuo o interesse feminino tanto à atenção aos detalhes, essencial para desvendar os mistérios, quanto à empatia exercida por nós”. O true crime, nesse sentido, deixa de ser apenas investigação e passa a ser uma forma de compreender o humano em seu ponto mais desconfortável.Essa sensibilidade também se reflete nos bastidores. Em Tremembé, a escalação de Marina Ruy Barbosa como Suzane ultrapassa a performance em cena. Julia destaca o papel ativo da atriz como produtora associada, sinalizando uma mudança estrutural na indústria. “A revolução das séries nos anos 2000 em Hollywood estava ligada a personagens masculinos multifacetados, os chamados homens difíceis, porque os criadores eram homens. Hoje, vemos cada vez mais esse olhar feminino criando personagens femininas mais interessantes”. Não por acaso, nomes como Vera Egito e Katia Lund estão à frente de alguns dos maiores sucessos brasileiros do Prime Video.Julia PriolliDivulgaçãoCom mais de R$ 5 bilhões investidos em produções nacionais, Julia enxerga o futuro do streaming como um espaço onde verdade e ousadia não podem ser negociadas. Para ela, tudo começa no roteiro, tratado como etapa sagrada do processo. “Fazer série é colocar o personagem no divã. Se o problema tem uma solução rápida, vale um longa-metragem. Se precisa de anos de terapia, merece múltiplas temporadas”.Ao mencionar Virginia Woolf, autora do ensaio Um Teto Todo Seu, texto fundamental do pensamento feminista moderno, Julia conecta o presente a uma reflexão histórica sobre espaço, autonomia e criação. Para ela, o audiovisual brasileiro vive um momento de expansão, mas ainda em disputa. “As mulheres já ocupam as universidades, já estão nos sets, já escrevem e dirigem. O que ainda estamos conquistando é o espaço de decisão”.Canal da VogueQuer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!

La serie Tremembé y la revolución del true crime brasileño en el streaming

La serie Tremembé, producida por Amazon MGM Studios Brasil, se ha convertido en un fenómeno en el streaming brasileño. Más allá del impacto inmediato que tuvo como la mayor estrena de un Original brasileño en la plataforma, rompiendo récords de audiencia, la ficción ha logrado trascender el género del true crime al centrarse en lo que sucede después del crimen.

Según Julia Priolli, Head de Ficción de Amazon MGM Studios Brasil, Tremembé se aleja del tradicional enfoque en el shock y la revelación final, para explorar el "pospunción" y transformar el crimen en una materia de reflexión. "Son casos previamente conocidos, pero nunca bajo esa óptica de la vida después del delito", explica.

La clave de este éxito radica en el riguroso trabajo de investigación y el enfoque narrativo que la serie adopta. Priolli, formada en Periodismo y con especialización en la Universidad de Columbia, opera bajo una lógica clara: "El absurdo es prerrogativa de la realidad, mientras que la ficción exige más coherencia". En lugar de explotar el sensacionalismo, Tremembé se adentra en temas como la progresión de pena, el indulto y el régimen semiabierto, convirtiendo al sistema penitenciario en un debate público.

Otro elemento clave es el protagonismo del público femenino. Priolli identifica que el interés de las mujeres por el true crime se debe a una combinación entre atención a los detalles y empatía. "Atribuyo el interés femenino tanto a la atención a los detalles, esencial para desentrañar los misterios, como a la empatía que ejercemos", señala.

Este enfoque femenino también se refleja en los bastidores, con la participación activa de actrices como Marina Ruy Barbosa, quien se desempeñó como productora asociada. Priolli destaca que esta revolución de las series en la última década, impulsada por personajes masculinos complejos, ahora se ve reflejada en personajes femeninos más interesantes, creados por mujeres.

Con más de R$ 5 mil millones invertidos en producciones nacionales, Priolli ve en el streaming un espacio donde la verdad y la audacia no pueden negociarse. Para ella, todo comienza en el guion, tratado como una etapa sagrada del proceso. "Hacer una serie es poner al personaje en el diván. Si el problema tiene una solución rápida, vale una película. Si necesita años de terapia, merece múltiples temporadas".

Tremembé se ha convertido en un fenómeno que trasciende el true crime, convirtiéndose en una ventana para reflexionar sobre la sociedad brasileña y la búsqueda de justicia después del delito. Una serie que demuestra el potencial del audiovisual nacional y la creciente presencia femenina en la industria.

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