A 31ª edição do festival É Tudo Verdade, dedicado exclusivamente ao documentário, terá como destaques filmes sobre David Bowie e Alceu Valença em suas noites de abertura em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. O evento, que apresentará 75 documentários nacionais e internacionais, acontecerá entre os dias 9 e 19 de abril em salas selecionadas das duas capitais, com entrada gratuita.
Em São Paulo, a sessão de abertura, reservada para convidados na quarta-feira, 8 de abril, exibirá “Bowie: O Ato Final”, dirigido por Jonathan Stiasny. O documentário mergulha nas últimas décadas da vida e carreira do icônico artista, com um foco especial em seu trabalho no álbum “Blackstar”, lançado apenas dois dias antes de sua morte em 2016. A produção explora o mistério que envolveu esse período final da vida de Bowie, oferecendo um olhar íntimo sobre sua criatividade e processo artístico. Uma sessão adicional para o público geral será realizada no dia 9, às 17h30, no CineSESC.
Já no Rio de Janeiro, a abertura oficial, na noite de 9 de abril, será dedicada a “VIVO 76”, de Lírio Ferreira. O longa-metragem celebra os 50 anos do lançamento do álbum ao vivo “Vivo!”, um marco na carreira de Alceu Valença e um divisor de águas na música brasileira. O filme resgata a importância desse trabalho, que consolidou Valença como um dos principais nomes do psicodelismo nacional e um ícone da cultura brasileira. Exibições adicionais estão programadas para os dias 11 e 18 de abril na Estação NET Rio.
Amir Labaki, diretor-fundador do É Tudo Verdade, destacou a relevância de ambos os filmes para o festival. “Ambos retratam grandes personagens da música pop contemporânea e, ao mesmo tempo, retratam como a sociedade e a cultura estavam evoluindo no mesmo momento em que esses fenômenos estavam surgindo”, afirmou Labaki em entrevista ao Estadão. Ele ressaltou que as duas produções dialogam entre si ao apresentar momentos distintos na trajetória de dois músicos influentes.
Labaki explicou que “Bowie: O Ato Final” oferece uma visão geral da carreira de David Bowie, mas se concentra especialmente em sua fase final, marcada pelo lançamento de “Blackstar” e sua subsequente morte. “O que ele tem de mais original é como ele foca naquele último momento, naquela última fase dele, que é muito misteriosa e que a gente teve a tristíssima surpresa da morte dele”, disse.
Por outro lado, “VIVO 76” revela o momento em que Alceu Valença foi descoberto e se inseriu na cultura brasileira com uma força que perdura até hoje. “Então, um é um filme de despedida e o outro é um filme de batismo”, comparou Labaki.
O diretor do festival brincou com a ideia de que Bowie e Valença poderiam ser considerados “primos distantes” devido ao seu talento para a inovação. Ele definiu os documentários como filmes “sociomusicais”, ressaltando que “Vivo!” representou um ato de resistência à ditadura militar no Brasil. “O Alceu, que é um libertário, surge num momento muito pesado”, afirmou Labaki.
Ele enfatizou a tensão presente no filme entre a mensagem de liberdade expressa por Alceu Valença e o ambiente repressivo da ditadura militar. “Está muito claro no filme que existe uma tensão muito forte entre o que o Alceu representa, canta e como ele se apresenta com um ambiente muito repressivo, [que ia] contra tudo aquilo que o Alceu estava representando”, completou.
Além das sessões de abertura, “Bowie: O Ato Final” terá exibições adicionais nos dias 10 e 19 de abril no Rio de Janeiro, e no dia 9 de abril em São Paulo. “VIVO 76” também ganhará mais duas exibições em cada capital, entre os dias 11 e 18 de abril.
A programação completa da 31ª edição do É Tudo Verdade, com os 75 títulos de 25 países, está disponível no site oficial do festival. O evento oferece uma oportunidade única para o público apreciar documentários de alta qualidade e refletir sobre temas relevantes da sociedade contemporânea.
Detalhes das sessões:
“Bowie: O Ato Final”
São Paulo: 9/4, às 17h30, no CineSESC (Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César)
Rio de Janeiro: 10/4, às 17h30 e às 18h30, e 19/4 às 16h, na Estação NET Rio (Rua Voluntários da Pátria, 35 – Botafogo)
Duração: 94 minutos
“VIVO 76”
São Paulo: 17/4, às 20h, na Cinemateca Brasileira (Largo Sen. Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino), e 18/4, às 16h, no IMS Paulista (Av. Paulista, 2424 – Bela Vista)
Rio de Janeiro: 11/4, às 17h30 e 18h30, na Estação NET Rio (Rua Voluntários da Pátria, 35 – Botafogo)
Duração: 70 minutos


